Cacique Raoni é internado em hospital em Mato Grosso após dor abdominal
Líder kayapó, de 94 anos, sofre de hérnia diafragmática
Por Jorge Abreu/Folhapress
08/05/2026 às 18:40
Atualizado em 08/05/2026 às 18:36
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos
O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi internado no Hospital dos Pinheiros, em Sinop (MT), na quarta-feira (6), após sentir fortes dores abdominais e febre. O quadro de saúde dele é estável, diz a unidade de saúde.
"Após avaliação clínica e realização de exames laboratoriais e de imagem, foi confirmado o diagnóstico de hérnia diafragmática traumática crônica, condição antiga decorrente de acidente sofrido há mais de 20 anos", informa o Hospital dos Pinheiros, em nota.
Segundo o boletim médico, o líder kayapó foi avaliado, incluindo acompanhamento cardiológico, e, devido à idade e às comorbidades pré-existentes, entre elas doença pulmonar obstrutiva crônica, o hospital optou por adotar "tratamento conservador", sem indicação de cirurgia neste momento.
Patxon Metuktire, neto e tradutor do cacique, disse à Folha que o avô aguarda novas avaliações médicas para receber alta, ainda sem previsão, mas que ele deve ficar em tratamento e observação redobrada mesmo fora do hospital.
"O cacique teve dores no estômago e febre. Ele foi atendido em casa, mas não melhorou. No outro dia cedo, ele foi encaminhado para o Hospital dos Pinheiros, em Sinop. Ele não pode fazer cirurgia devido à idade, é muito risco, então vai seguir outras recomendações médicas", relatou.
O Instituto Raoni cancelou a agenda do cacique com parceiros e demais compromissos diante da atenção médica que ele necessitará nos próximos dias.
"Pedimos, com respeito e compreensão, que todos e todas acolham este momento com sensibilidade, permitindo que o cacique possa receber os cuidados necessários e se recuperar com tranquilidade", diz a nota do instituto.
O cacique Raoni foi cotado para o Nobel da Paz, esteve com quase todos os presidentes do Brasil desde a redemocratização —exceção a Jair Bolsonaro (PL)—, conheceu reis, conversou com papas, sobreviveu à covid-19, lutou por demarcações de terra e se tornou a maior liderança indígena do país.
