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Bolsonaristas continuam desconfiados de líder do Senado e se movem para presidir a Casa em 2027

Bolsonaristas continuam desconfiados de líder do Senado e se movem para presidir a Casa em 2027

Senadores Rogério Marinho (PL) e Tereza Cristina (PP) são cotados e buscam apoio de colegas

Por Carolina Linhares/Raphael Di Cunto/Folhapress

08/05/2026 às 13:45

Foto: Carlos Moura/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Bolsonaristas continuam desconfiados de líder do Senado e se movem para presidir a Casa em 2027

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

Dois dos líderes da oposição no Senado se movimentam nos bastidores para disputar a presidência da Casa contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) em 2027, apesar dos gestos de aproximação do senador com a direita. Ele articulou derrotas do governo e bloqueou projetos que eram apostas do presidente Lula (PT) para recuperar sua popularidade antes da campanha eleitoral.

Alcolumbre, até então um dos principais aliados do petista, tem atuado para restabelecer um canal de diálogo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com a direita, com o intuito de se reeleger ao comando do Senado na próxima legislatura caso o filho do ex-presidente vença a eleição contra Lula (PT).

Opositores dizem ver com desconfiança essa aproximação. Afirmam que ele já traiu Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, portanto, o ideal é eleger um de seus próprios integrantes para comandar a Casa. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) buscam apoio dos colegas para a disputa.

O plano só deve mudar, afirmam senadores de direita, se o grupo não conseguir eleger parlamentares em número suficiente para formar a maioria do Senado em 2027, o que poderia forçar uma nova aliança com Alcolumbre, como já ocorreu no ano passado.

A série de derrotas imposta ao governo por Alcolumbre foi lida por petistas e bolsonaristas como um movimento antecipado na corrida pela reeleição em 2027 e também um recado do senador, que mostrou que detém o controle da Casa para ajudar tanto o governo como a oposição.

Governistas também afirmam que a aliança tem como objetivo enterrar as investigações do Banco Master.

O presidente do Senado fez três gestos à direita na semana passada. Atuou pela rejeição de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), prometeu que apenas o presidente eleito em outubro poderá fazer a nova indicação e marcou a sessão para derrubada do veto presidencial ao projeto de lei que reduz a pena dos condenados pelos atos golpistas.

Em troca, obteve apoio da oposição para enterrar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Master. Já Flávio capitalizou as vitórias e afirmou que o governo Lula havia acabado.

Bolsonaristas ouvidos pela reportagem negam qualquer acordo com Alcolumbre para viabilizar os reveses a Lula e dizem não haver dívidas a serem pagas ao senador futuramente. Pelo contrário, a avaliação é a de que ele teria travado as principais bandeiras da direita, como o impeachment de ministros do STF e a anistia total aos golpistas, e que os acenos mais recentes devem ser calibrados com isso em mente.

"Ele erra nessa parte de sentar em cima de processos de impeachment de ministros do Supremo. […] A consequência prática é essa que vemos hoje, um desequilíbrio entre os Poderes. O Davi, não é que ele virou um herói, mas acho que ontem ele teve um dia em que Deus deu sabedoria a ele de ajudar a começar a resgatar a credibilidade do Congresso Nacional", afirmou Flávio após a derrubada do veto.

Embora neguem um acordo, bolsonaristas admitem reservadamente que há entendimentos comuns com Alcolumbre, como o de que o Senado não deve votar neste ano qualquer outra indicação ao STF —algo que favorece Flávio caso ele seja eleito em outubro.

Alcolumbre afirmou a senadores próximos que pretendeu, de fato, construir com Flávio uma ponte, mas que seus gestos à oposição não significam que ele tenha escolhido um lado de forma definitiva. Ele também mantém aberto o canal com o governo e o PT para se reeleger e pediu a interlocutores do presidente que marquem uma reunião com Lula para "passar a régua" no episódio.

Para os senadores, definir a relação de Alcolumbre com a oposição ou com o governo ainda depende de como o presidente vai conduzir pautas prioritárias do Planalto: o fim da escala 6x1, que precisa passar antes pela Câmara, e a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança, engavetada por ele.

Nos bastidores, parlamentares da direita afirmam que os gestos são insuficientes para uma adesão à reeleição de Alcolumbre. A reportagem consultou dez congressistas influentes da oposição, e apenas um disse que as recentes derrotas do governo patrocinadas por ele abrem caminho para apoiá-lo em 2027.

Os outros nove disseram que Alcolumbre não é confiável e que poderia traí-los, assim como fez com o governo. Por isso, afirmam que não trocariam um nome alinhado à direita, como Marinho ou Tereza, pela reeleição do chefe da Casa.

Eles ressaltaram, no entanto, que é cedo para fazer prognósticos e que o cenário só ficará claro depois do resultado da eleição de outubro, em que 54 das 81 cadeiras estarão em jogo no Senado.

Com o discurso alavancado pela defesa do impeachment de ministros do STF, a direita calcula que pode eleger até 35 senadores para as 54 vagas em disputa. Somados aos 10 com mandato até 2031, ultrapassariam a maioria de 41. Número suficiente para comandar a Casa, mas menor do que o necessário para afastar um ministro da Suprema Corte, o que exige o voto favorável de 49 senadores.

Essa conta, assim como a expectativa de poder sobre Flávio, foi levada em consideração por Alcolumbre para fazer valer no Congresso a sua agenda e não a do Palácio do Planalto, segundo parlamentares.

Aliados dele dizem que as chances de se reeleger presidente são maiores caso Lula vença, mas que é possível construir uma candidatura forte mesmo se Flávio for eleito, já que o futuro presidente terá que negociar com ele o Orçamento de 2027 e as pautas de uma administração de transição.

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