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Dólar cai a R$ 5,06, menor valor desde abril de 2024, e Bolsa vai a 195 mil pontos pela 1ª vez

Dólar cai a R$ 5,06, menor valor desde abril de 2024, e Bolsa vai a 195 mil pontos pela 1ª vez

Moeda americana fecha no menor valor em dois anos, em meio à valorização do real

Por Matheus dos Santos/Folhapress

09/04/2026 às 18:40

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar cai a R$ 5,06, menor valor desde abril de 2024, e Bolsa vai a 195 mil pontos pela 1ª vez

Moeda americana encerrou o pregão em queda de 0,77%

A Bolsa renovou o recorde de fechamento nesta quinta-feira (9), encerrando o dia pela primeira vez acima dos 195 mil pontos. Foi também a primeira vez que o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, superou a marca dos 194 mil pontos.

O pregão foi impulsionado pelo fluxo para países emergentes, conforme as negociações envolvendo o cessar-fogo na guerra no Irã animaram investidores.

A Bolsa encerrou o dia em disparada de 1,52%, a 195.129 pontos. Na máxima, o Ibovespa chegou a 195.513 pontos, alta de 1,72% —novo recorde durante o período de negociações.

O fortalecimento dos emergentes também impactou o dólar, que fechou no menor nível desde 9 de abril de 2024. A moeda encerrou o pregão em queda de 0,77%, a R$ 5,062. Na mínima, o dólar chegou a R$ 5,058, recuo de 0,87%.

O movimento foi similar, embora em menor intensidade, ao da última quarta-feira (8). Foi a segunda sessão consecutiva em que o Ibovespa renovou a máxima no período de negociações e de fechamento.

O pregão repercutiu o otimismo de que o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, anunciado na terça-feira (7), se torne definitivo.

Após dizer que "uma civilização inteira morrerá nesta noite" e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou e aceitou uma proposta feita pelo Paquistão para uma trégua de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.

O cessar-fogo prevê a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e GNL (gás natural liquefeito) consumidos no mundo.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo motiva a busca por risco após semanas de volatilidade intensa. "Alivia a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção do mercado".

Segundo Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX, é difícil entender até quando o dólar irá se desvalorizar. "Com a trégua, a moeda passou a cair globalmente —e, nesse contexto, o real se destaca como uma das com melhor desempenho", afirma.

"Com o arrefecimento do cenário geopolítico, é possível que vejamos novamente um dólar mais fraco, o que favorece moedas emergentes", diz Bezzon.

No pregão desta quinta, o dólar retornou aos patamares pré-guerra no Oriente Médio. Em fevereiro, antes do conflito começar, a moeda chegou a R$ 5,124, um dos menores fechamentos do ano.

A sinalização de trégua beneficia o mercado brasileiro e demais emergente. Além do real, os pesos mexicano e chileno, o rand sul-africano e rublo russo foram exemplos de moedas que se valorizaram durante o pregão.

Analistas veem uma retomada do fluxo de investidores estrangeiros para o país, que marcou as valorizações da Bolsa brasileira e do real no começo do ano. O processo foi freado pelo conflito global.

O movimento de investidores internacionais deriva de uma maior diversificação de carteiras em escala global, reflexo, entre outros fatores, dos temores instalados pela condução geopolítica do governo Donald Trump.

"O fluxo para emergentes é uma tendência que já vinha desde o fim do ano passado e se intensificou neste. Houve uma certa acomodação com a questão dos conflitos, mas o direcionamento parece voltar à medida que há sinais de resolução", diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

O patamar de juros brasileiros a 14,75% também beneficia o fluxo de capital e preserva a atratividade das operações de 'carry trade'.

Nessa operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhar com o diferencial de juros, o que tende a favorecer o real e Bolsa.

O distanciamento geopolítico do país, com a menor exposição do Brasil ao conflito também joga a favor. "A menor exposição do Brasil ao conflito no Oriente Médio aumenta o apelo do país para investidores que buscam retorno sem risco geopolítico", afirma Bezzon, da Stone X.

Ainda há um cenário de incertezas no conflito. O governo de Israel anunciou nesta quinta que vai abrir negociações para estabelecer relações com o Líbano. A decisão ocorre após Teerã ameaçar abandonar a trégua depois de uma operação militar do governo de Binyamin Netanyahu no Líbano na quarta.

"À luz dos repetidos pedidos do Líbano, eu instruí o gabinete ontem a começar negociações diretas o mais rapidamente possível. Elas vão focar em desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas entre Israel e o Líbano", disse em nota Netanyahu.

Enquanto isso, a retomada do fluxo de navegação no estreito de Hormuz ainda alimenta dúvidas. Na quarta-feira (8), primeiro dia do cessar-fogo, a autoridade marítima do Irã divulgou uma nova diretriz da Guarda Revolucionária da teocracia para o trânsito no estreito, que antes da guerra escoava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mercado.

Segundo ela, os navios precisam passar por duas novas faixas em águas territoriais do Irã, a de saída do golfo Pérsico passando por duas ilhas militarizadas do estreito, Qeshm e Larak. Ao fazê-lo, têm de informar o que carregam e pagar o equivalente a US$ 1 por barril de petróleo, por exemplo.

Conforme o Irã, o caminho tradicional, por duas faixas com 3 km de largura em águas de tráfego livre para países no centro do estreito, está preenchido por minas.

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