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Paes faz discurso eleitoral em renúncia e 'jingle' gera saia justa com TRE

Paes faz discurso eleitoral em renúncia e 'jingle' gera saia justa com TRE

Cantor Dudu Nobre faz improviso em frente ao chefe da Justiça Eleitoral e ex-prefeito intervém: 'Crime foi dele'

Por Italo Nogueira/Yuri Eiras/Folhapress

20/03/2026 às 20:00

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Paes faz discurso eleitoral em renúncia e 'jingle' gera saia justa com TRE

Eduardo Cavaliere (PSD), novo prefeito do RJ, recebe chave simbólica da cidade de Eduardo Paes (PSD)

A cerimônia de transmissão de cargo da Prefeitura do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (20) teve discurso de renúncia em tom eleitoral do prefeito Eduardo Paes (PSD) e momento de saia-justa com o presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral), Claudio de Mello Tavares.

Ao fim do discurso de Paes, os cantores Dudu Nobre e Seu Jorge subiram ao palanque e cantaram trecho do samba "Moleque Atrevido", de Jorge Aragão. No fim, o verso original "respeite quem pôde chegar aonde a gente chegou" foi alterado pelo cantor Dudu Nobre como "respeite Eduardo Paes para governador".

Paes, que fez discurso em tom de pré-campanha ao governo estadual, riu e coçou a cabeça.

"O presidente do Tribunal Regional Eleitoral viu que eu não vi. Não tenho nenhuma responsabilidade. O crime foi do Dudu Nobre, não do Dudu Paes", disse Paes ao microfone.

"Foi tudo no improviso, perdoem-me", afirmou Dudu Nobre, que na saída do palco ainda gritou: "Alô TRE!"

É crime a propaganda eleitoral antecipada, antes de 16 de agosto. A prática é proibida na pré-campanha com pedido explícito de voto ou usar termos conhecidos como "palavras mágicas" de apoio. A legislação prevê multa e outras sanções à prática.

No discurso, o agora ex-prefeito mencionou dois versos de samba, de Almir Guineto e Moacyr Luz, duas passagens bíblicas, e usou a segurança pública como tema principal.

O assunto foi explorado durante o quarto mandato com a criação de uma força municipal armada e ainda mais ativamente desde a semana passada, após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) por suspeita de contatos com o Comando Vermelho. Ele teve a prisão revogada três dias depois.

"A gente não pode mais permitir a infiltração do crime na política e a politização das forças policiais, problemas centrais e condicionantes da grave crise que enfrentamos na segurança pública. Enquanto as instituições estaduais se corroem, a violência sufoca nossa paz e ceifa vidas inocentes", afirmou o pré-candidato ao governo.

Em aceno aos políticos que devem formar a base de apoio à candidatura, Paes disse que o grupo está "armado de fé". A cerimônia de passagem do Poder Executivo municipal teve ainda menções a municípios do interior do estado.

Paes lembrou a derrota que sofreu para Wilson Witzel, então no PSC, na eleição a governador em 2018. Disse que o revés aconteceu porque "o povo fluminense foi enganado pelas falsas promessas e pelas soluções mágicas de um farsante que acabou sofrendo impeachment por causa da corrupção no seu governo".

Indiretamente, justificou a quebra da promessa de concluir o seu quarto mandato como uma forma de atender a um chamado.

"Quando eu cruzar os portões desse palácio, o prefeito fica para trás, mas o homem público segue em frente. E como homem público eu tenho uma missão, chamado que nas horas mais escuras me aviva a alma e me impele a agir. Nós não podemos mais tolerar a destruição do nosso estado", disse ele.

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