Home
/
Noticias
/
Economia
/
Ministério Público investiga cônsul honorária do Líbano por suspeita de trabalho escravo em SP
Ministério Público investiga cônsul honorária do Líbano por suspeita de trabalho escravo em SP
Siham Harati e consulado foram procurados, mas não se manifestaram
Por Ana Paula Branco/Folhapress
20/03/2026 às 20:45
Foto: Reprodução/Instagram
A cônsul honorária do Líbano no Brasil, Siham Harati
O Ministério Público do Trabalho de São Paulo investiga a cônsul honorária do Líbano no Brasil, Siham Harati, por suspeita de manter uma trabalhadora doméstica filipina em condições análogas à escravidão em sua casa, no Morumbi, em São Paulo.
A reportagem tentou contato com Siham Harati por meio de mensagem em seu perfil no Instagram, mas não recebeu retorno até o momento. A defesa dela não foi localizada.
O Consulado Geral do Líbano em São Paulo também foi procurado por email às 13h desta sexta-feira (20) e não se manifestou.
O caso foi revelado pelo Repórter Brasil e confirmado pelo jornal Folha de São Paulo.
A investigação começou após o resgate da trabalhadora pela Polícia Militar, no dia 6 deste mês. Ela disse ter sido submetida a jornadas extensas, sem direito a folgas, e a restrições de liberdade dentro da casa onde trabalhava.
A denúncia foi encaminhada pela Secretaria da Justiça e Cidadania do Governo de São Paulo, após comunicação do Consulado das Filipinas em São Paulo, e envolve um possível caso de tráfico de pessoas para fins de trabalho em condições análogas à escravidão.
Em depoimento, a trabalhadora disse que não vê a família desde 2014, quando passou a trabalhar para Harati, inicialmente no Líbano e depois no Brasil. Ela afirmou que sua rotina começava pela manhã e se estendia até a noite, sem descanso semanal, e que não podia sair livremente do imóvel. Também há relato de possível retenção de documentos.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse à reportagem que tem ciência da denúncia. A pasta explicou que cônsules honorários exercem funções de forma voluntária, sem remuneração.
Segundo o Itamaraty, esses representantes desempenham funções consulares limitadas e não possuem as mesmas imunidades atribuídas a diplomatas de carreira.
O Ministério Público do Trabalho vai verificar se o contrato da trabalhadora foi cumprido, se havia condições dignas de trabalho e se direitos como salário e descanso estavam sendo respeitados. Caso sejam comprovadas irregularidades, o MPT pode propor um termo de ajustamento de conduta (TAC), com obrigações de regularização, além de multa, ou ainda ingressar com ação na Justiça do Trabalho.
Há também uma investigação civil em curso, com possível desdobramento na esfera criminal, que não é conduzida pelo MPT. Nessa frente, a suspeita pode responder por crimes como o de reduzir alguém à condição análoga à de escravo, a depender do que for apurado.
