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Governo avalia que subsídio extra ao diesel só funciona com adesão de todos os estados
Governo avalia que subsídio extra ao diesel só funciona com adesão de todos os estados
Por Idiana Tomazelli, Folhapress
26/03/2026 às 17:35
Atualizado em 26/03/2026 às 19:54
Foto: Agência Brasil/Arquivo
Modelo ainda precisa driblar desafios operacionais; preocupação de estados é com prazo da política dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assi
Integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o subsídio extra de R$ 1,20 no preço do diesel importado só é viável do ponto de vista operacional com a adesão de todos os estados.
A medida foi proposta pela União, que vai bancar metade do benefício (ou seja, R$ 0,60 por litro), e deve ser apreciada na reunião do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) desta sexta-feira (27). O colegiado reúne os secretários estaduais de Fazenda e é presidido pelo Ministério da Fazenda.
Segundo técnicos envolvidos nas discussões, embora o desenho, na teoria, mantenha o direito de escolha dos estados, na prática a implementação do subsídio pode enfrentar dificuldades ou até ficar inviável se algum deles decidir ficar de fora.
Entre os estados, ainda não houve consenso sobre a proposta do governo federal, mas há o reconhecimento de que a estratégia os colocou na berlinda. Se algum deles não aderir, será preciso justificar à população, em pleno ano eleitoral, por que decidiu rejeitar uma ajuda da União para custear parte do preço do diesel. Esse é um trunfo que o governo federal tem na mão.
Para além da questão política, alguns estados manifestam a preocupação de que a medida se restrinja de fato ao prazo estipulado de dois meses.
O Executivo, por sua vez, tenta articular um desenho que deixe os governadores mais confortáveis em aderir e proporcione agilidade no pagamento aos importadores de diesel. O custo efetivo da subvenção pode ficar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões nos dois meses de duração.
O formato em discussão prevê que a União faça todo o pagamento da subvenção aos importadores e, depois, desconte a parcela dos estados das transferências ao FPE (Fundo de Participação dos Estados). Como se trata de um repasse constitucional, o governo acha importante ter a adesão voluntária inclusive para fundamentar a retenção dos valores.
A decisão de inverter o fluxo, com o pagamento capitaneado pela União e reembolso posterior pelos estados, foi tomada após técnicos constatarem o risco de o importador enfrentar dificuldades para precificar o diesel, caso a subvenção ficasse a cargo de cada um dos entes.
Embora o diesel importado seja consumido em todo o território nacional, sua importação está concentrada em poucos estados, sendo Maranhão o principal deles. O problema é que o importador só sabe para onde vai o combustível no final da operação, quando o produto já está no Brasil e é comercializado pela distribuidora.
Por isso, segundo um técnico do governo, se alguns estados aderirem e outros não, haverá dificuldades em precificar o diesel de forma a incentivar a importação e garantir o abastecimento interno.
Por outro lado, ao decidir bancar toda a subvenção na largada e só depois se ressarcir de 50% do custo, a equipe econômica quer se precaver contra o chamado risco moral, isto é, um estado usufrui do benefício mesmo sem aderir à política e bancar sua fatia correspondente. Também por isso, a adesão de todos é considerada fundamental.
Será necessário também superar outras dificuldades operacionais. O sistema usado para monitorar as operações com combustíveis, chamado de Scanc, não separa o diesel por origem (importado e doméstico), o que é um entrave para a aplicação correta do subsídio.
Para resolver esse impasse, a ideia é descontar do estado um valor proporcional à participação dele no consumo de diesel, o que será medido a partir do histórico de recolhimento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Apesar da complexidade, o governo avalia que o modelo de subvenção é o mais eficiente, dado que a legislação atual trava a possibilidade de zerar as alíquotas de ICMS apenas sobre o diesel importado. Essa possibilidade chegou a ser cogitada, mas enfrenta obstáculos técnicos e jurídicos. Seria preciso também compensar a medida com alguma outra arrecadação, para evitar desrespeito à LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
Segundo interlocutores do governo, o foco do Executivo neste momento é tentar convencer os governadores a aderir à nova subvenção. Só depois disso será possível avaliar se as medidas foram suficientes para garantir o abastecimento interno ou se há necessidade de novas ações.
Por enquanto, o que segue em discussão é a possibilidade de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel. O governo já isentou a cobrança de tributos federais sobre o diesel, mas, como o combustível vendido nos postos é uma mistura de ambos, na prática ainda restam R$ 0,02 dos R$ 0,32 por litro que incidiam originalmente sobre o produto nas bombas.
A possibilidade de estender a isenção ao biodiesel já foi confirmada pelo ministro Dario Durigan (Fazenda) no início da semana.
