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Se Neto também migrar, Otto perde controle do PSD na Bahia, por Raul Monteiro*
Se Neto também migrar, Otto perde controle do PSD na Bahia, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
05/02/2026 às 06:30
Atualizado em 05/02/2026 às 17:54
Foto: Saulo Cruz/Arquivo/Agência Senado
Otto Alencar
O senador Otto Alencar ajudou a rifar o colega Angelo Coronel (PSD) da chapa de Jerônimo Rodrigues (PT), a partir do momento que emplacou um filho no Tribunal de Contas do Estado, e depois quando colaborou para praticamente expulsá-lo do grupo governista, demonstrando de público exercer pleno domínio sobre o PSD na Bahia. Neste sentido, prestou um serviço inestimável ao governo e, em especial ao senador Jaques Wagner (PT), que há tempos desejavam se livrar de Coronel, a quem chamavam nos bastidores de 'infiel e desleal', mas, por óbvio, não queriam sujar diretamente as mãos com a operação.
Otto não está, entretanto, livre de sofrer um revés pelas mãos do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, considerado nos meios políticos um verdadeiro 'mágico', capaz de dar nó em pingo de éter. Kassab é o responsável pela transformação do PSD, nas palavras de Hélio Schwartsman, numa 'Pasárgada partidária', em que todos podem ser felizes, não importa a ideologia que abracem, desde que não atentem contra seus interesses. A ausência de salvaguardas com relação ao que pode acontecer com o PSD na Bahia talvez esteja na base do nervosismo que se sente em setores do governo desde que Coronel anunciou a decisão de sair da base governista.
Era para ser uma festa, com comemoração por todos os lados. Afinal, com a mudança de lado, Coronel abriu espaço para a consolidação da chamada chapa 'puro-sangue', pondo fim ao conflito criado com a decisão do senador Jaques Wagner de disputar a reeleição ao lado de Jerônimo e do ministro Rui Costa (Casa Civil), um arranjo partidariamente abusivo que leva o PT a ocupar simplesmente três das quatro vagas em jogo na sucessão estadual para atender ao desejo de um dos seus líderes. Mas não é o que se vê. O governador e o ministro ainda não dão a saída de Coronel como fato consumado, passando a impressão de que não estão seguros.
Faltando cinco meses para as convenções partidárias que oficializarão alianças e candidaturas, há convicção de que muita água ainda pode rolar por debaixo da ponte e que ninguém, no país em que a insegurança predomina em todos os níveis e esferas, pode estar convicto de que está tranquilo. A situação se aplica como uma luva a Otto, que pelo serviço prestado de limar Coronel, pode até ser destinatário hoje de uma gratidão do governo que embale projetos futuros - já se fala no desejo de colocar o filho Daniel como candidato ao governo em 2030 - mas não tem, na prática, o mínimo controle sobre um partido que acaba de ganhar o terceiro candidato presidencial.
Qual a garantia pode obter de Kassab, por exemplo, de que conseguirá manter o partido apoiando Jerônimo e Lula na Bahia, caso um dos três nomes disponíveis hoje no partido venha a despontar e ganhar musculatura para a sucessão presidencial? Fora de cogitação que o presidente nacional do PSD possa submeter um projeto de fortalecimento e vitória nacional a sua camaradagem com Otto. Outro porém: E se o líder das oposições na Bahia, ACM Neto (União Brasil), depois de avaliar prós e contras, decidir seguir Caiado e se filiar ao PSD, transformando-se no candidato a governador do partido no Estado? As pedras só começaram a rolar...
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
2 Comentários
Danilo
•
05/02/2026
•
10:34
Souza
•
05/02/2026
•
04:50
