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Presidente do PT diz a empresários que fim da escala 6x1 deve ser tratado com calma
Presidente do PT diz a empresários que fim da escala 6x1 deve ser tratado com calma
Edinho Silva disso ainda que Alckmin poderá disputar 'o cargo que quiser' nas eleições de 2026
Por Carolina Faria/Folhapress
09/02/2026 às 21:00
Foto: Evandro Macedo/Divulgação/Lide
Edinho Silva, presidente do PT, durante almoço do grupo empresarial Lide, em São Paulo
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira (9) que o fim da escala 6x1 deve ser debatido com cautela no Congresso, ao comentar questionamento de empresários sobre o assunto, em almoço do grupo empresarial Lide.
A pauta, que é alvo de propostas de mudança no Legislativo, tem sido defendida pelo presidente Lula (PT) em discursos e deve ser uma de suas bandeiras de campanha para a disputa à reeleição.
"É um tema que deve ser tratado com calma. O Congresso Nacional é o espaço apropriado para essa discussão", afirmou Edinho, em resposta a pergunta de um empresário, em evento no hotel W. em São Paulo.
Nesta segunda-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que iniciou a tramitação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6x1, que prevê um dia de descanso para seis de trabalho.
Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), disse que procurará Motta para acelerar o processo, defendendo que o Legislativo discuta um PL (Projeto de Lei) em regime de urgência.
No evento do Lide, o tema foi levantado por Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Segundo ele, uma eventual redução da jornada poderia elevar custos e levar a demissões, sobretudo em setores intensivos em mão de obra, como bares e restaurantes.
Ao responder, Edinho disse ainda que o debate ocorre em vários países do mundo e precisa considerar impactos econômicos e sociais. Defendeu ainda que a pauta esteja associada à distribuição de renda.
"A tecnologia aumentou a produtividade com menor uso de força de trabalho, mas sem criar capacidade de consumo. Em um país como o Brasil, em que 1% da população concentra 25% da renda, esse debate é central", disse.
Após o almoço, em coletiva com jornalistas, Edinho elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e afirmou que ele poderá disputar "o cargo que quiser" nas eleições de 2026.
"Alckmin é uma pessoa muito querida por todos nós. Eu o admiro pelo trabalho que tem feito. Tenho dito que ele será candidato àquilo que quiser", disse.
Na semana passada, em entrevista ao portal UOL, o presidente Lula afirmou que o PT tinha condições de ganhar as eleições em São Paulo e que tanto Alckmin quanto o ministro da Fazendo, Fernando Haddad, tinham um papel a cumprir no estado. "Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem", disse Lula na ocasião.
Alckmin avisou a dirigentes petistas que não pretende se candidatar a nenhum cargo caso seja retirado da chapa em que Lula tentará reeleição. Haddad também tem dito que não quer se candidatar.
Nesta segunda, Edinho negou a existência de crise entre o presidente Lula e Haddad. Segundo ele, as conversas entre os dois são frequentes e tratam do impacto político de uma eventual saída do ministro da equipe econômica. "O presidente Lula conversa com Haddad cotidianamente. Não existe crise", afirmou.
O dirigente afirmou que o PT trabalha para ampliar alianças, inclusive com partidos de centro e centro-direita. "Temos que construir uma política de alianças para eleger governadores e senadores comprometidos com a democracia e reeleger o presidente Lula. Se partidos de centro-direita quiserem apoiar um programa que deixe legado para as futuras gerações e defendam a democracia, eu não vejo contradição nenhuma", disse.
Segundo Edinho, as definições sobre candidaturas devem avançar até o fim de março, prazo legal de desincompatibilização de cargos públicos.
O dirigente do PT também citou, no evento, a polarização política como fator de desgaste da democracia representativa. "Esse sentimento de insatisfação alimenta um ambiente de polarização que dificulta o diálogo", afirmou.
