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Presidente do Parlamento da Venezuela pede perdão a presos políticos, e lei de anistia avança
Presidente do Parlamento da Venezuela pede perdão a presos políticos, e lei de anistia avança
Jorge Rodríguez apoiou proposta que abrange casos de 1999 a 2026 e afeta centenas de pessoas
Por Folhapress
05/02/2026 às 19:15
Foto: Divulgação
O presidente do Parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez
O presidente do Parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez, pediu perdão aos presos políticos do país nesta quinta (5), durante uma sessão em que congressistas debateram um projeto de lei de anistia. O texto, aprovado de forma unânime em uma primeira votação, abrange acusados de "traição à pátria", "terrorismo" e "incitação ao ódio", crimes normalmente imputados a presos políticos.
"Pedimos perdão porque, para que fique claro, eu não gosto de prisioneiros", disse Jorge, que é irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez. Ele discursou segurando uma fotografia do falecido Hugo Chávez com um crucifixo na mão. Ainda não há data para a próxima votação.
Se promulgado, o projeto ainda deve conceder clemência imediata a detidos por participarem de protestos políticos e criticarem figuras públicas, devolver os bens dos presos e cancelar alertas da Interpol e outras medidas internacionais, permitindo que retornem ao país.
As informações são das agências de notícias AFP e Reuters, que afirmam ter visto uma cópia do projeto.
O texto exclui "violações de direitos humanos" e "crimes contra a humanidade", mas inclui "infrações" cometidas por juízes, promotores e outros funcionários.
Delcy Rodríguez, líder interina, anunciou no fim de janeiro a proposta de anistia para centenas de prisioneiros no país, além da pretensão de transformar o célebre presídio Helicoide, em Caracas, em um centro para esportes e serviços sociais.
"Que a lei sirva para curar as feridas deixadas pelo confronto político, pela violência e pelo extremismo. Que restaure a justiça em nosso país e restabeleça a convivência pacífica entre os venezuelanos", disse Delcy.
Abrangendo casos de 1999 até 2026, ou seja, todo o período chavista, a proposta afetará centenas de detidos e ex-prisioneiros libertados condicionalmente.
Desde a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, ativistas presos estão aos poucos sendo libertados. Entre eles, Rocío San Miguel, presa em fevereiro de 2024, e Enrique Márquez, no início de 2025.
A primeira foi detida após ser acusada pelo regime chavista de colaborar com planos para assassinar Maduro. O segundo foi sequestrado depois de se opor ao ditador nas eleições presidenciais de 2024, em pleito questionado por órgãos internacionais.
Em 3 de janeiro, o governo de Donald Trump capturou o ditador venezuelano e levou-o a Nova York para indiciá-lo por acusações de terrorismo e associação com o narcotráfico. Maduro nega as acusações e se declarou inocente em uma primeira audiência perante a Justiça americana.
Políticos da oposição, membros dissidentes das forças de segurança, jornalistas e ativistas de direitos humanos foram alvos frequentes de acusações como terrorismo e traição —as quais, segundo eles, teriam motivação política.
Famílias e defensores de direitos humanos exigem há tempos que as condenações, consideradas injustas por eles, sejam retiradas.
Segundo o regime venezuelano, mais de 600 pessoas já foram libertadas. Não foram divulgados, no entanto, listas oficiais de nomes nem um cronograma claro para as solturas.
