Lula defende no STF punição a 'magnatas do crime' em meio a caso Master
Por Mariana Brasil, Folhapress
02/02/2026 às 15:49
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do STF, Edson Fachin, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF)
O presidente Lula (PT) elogiou nesta segunda-feira (2) operações que miraram financiadores do crime organizado, em mais uma citação a respeito do chamado "andar de cima", durante seu discurso na abertura dos trabalhos do Judiciário de 2026.
"Com a operação Carbono Oculto, o Poder Judiciário, a Polícia Federal e a Receita Federal chegaram aos mandantes do crime organizado. Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, e sim em alguns dos endereços mais nobres no Brasil e no exterior", declarou.
A operação citada por Lula apurou crimes financeiros e lavagem de dinheiro que envolviam a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), gestoras da Faria Lima e o setor de combustíveis.
Esta segunda marca a retomada dos julgamentos em plenário do STF, após o recesso de final de ano.
Lula não discursou na abertura do judiciário do ano passado. A escolha por falar ocorre em um momento de tensões internas no Supremo diante do escândalo do Banco Master, cujo relator do caso na corte é o ministro Dias Toffoli. As investigações mostraram proximidades do magistrado com um dos advogados da causa, levantando questionamentos sobre sua posição na relatoria do caso.
Toffoli viajou de jatinho com esse advogado no final de novembro. Além disso, negócios familiares associam os seus irmãos a um fundo de investimentos ligado à instituição financeira. Sobre o tema, o presidente do STF já afirmou que a investigação tende a sair da corte.
Lula já se manifestou publicamente de forma crítica sobre as fraudes do banco. O presidente reuniu, no Palácio do Planalto ainda neste mês, autoridades envolvidas na investigação para tratar do tema. Entre elas, o ministro Alexandre de Moraes, o diretor da Receita, Robinson Barreirinhas, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Após o encontro, o petista se referiu às investigações em torno do caso Master como um momento histórico para o país e disse que o Estado brasileiro irá derrotar o crime organizado, durante cerimônia da posse de seu novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
Como mostrou a Folha, ele também manifestou irritação a aliados com a conduta de Toffoli na relatoria e deu sinais de que não pretende defender o ministro.
