Plano presidencial do PSD pode tirar Kassab da chapa de Tarcísio em SP
Por Juliana Arreguy/Folhaoress
30/01/2026 às 07:55
Foto: Reprodução/Arquivo
Gilberto Kassab
O projeto do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de lançar alguém de seu partido à Presidência da República pode custar à sigla o posto de vice-governador na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, hoje ocupado por Felício Ramuth.
Para lideranças políticas do estado, apenas quem estiver comprometido com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente poderá compor o palanque de Tarcísio em 2026, já que o governador declarou que "vai trabalhar muito" pelo filho 01 de seu padrinho político, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dos aliados de Tarcísio disse ao Painel, sob reserva, que Kassab, secretário estadual de Governo, "não pode ter tudo" e que não faz sentido o PSD manter uma vaga tão importante na chapa, considerando que o próprio governador deve dividir agendas e eventos com Flávio durante a campanha.
Pessoas próximas a Tarcísio argumentam que, mesmo que o PSD libere seus quadros para que escolham quem apoiar a nível nacional, a composição de uma chapa exige um compromisso institucional do partido, e não apenas individual de alguns políticos. Por isso, ressaltam, ainda que Ramuth seja um nome de agrado do próprio Tarcísio, seria difícil mantê-lo na vice caso continue no PSD.
O próprio Kassab, que já se colocou para ser o vice de Tarcísio de olho em uma eventual candidatura ao governo paulista em 2030, também seria descartado neste cálculo. O nome que mais ganha força para o posto, neste cenário, é o do presidente da Assembleia Legislativa (Alesp), o deputado André do Prado (PL).
PP e União Brasil, que formam uma federação, entram na chapa com a candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP) ao Senado, enquanto o PL pleiteia outra vaga –nomes como o do deputado estadual Gil Diniz e o da deputada federal Rosana Valle são ventilados.
Na terça-feira (27), Kassab filiou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, fechando uma trinca de presidenciáveis sob o seu guarda-chuva: além dele, há também os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS).
"Aquele que estiver em melhores condições será o candidato, definiremos em abril", disse Kassab em entrevista à Folha.
O presidente do PSD defende "uma candidatura moderada, que possa ser um contraponto a uma proposta mais radical de esquerda e outra mais radical de direita" e afirma que abriria mão de lançar um quadro à Presidência caso Tarcísio decida disputar o Palácio do Planalto.
"Não tem sentido [manter uma candidatura do PSD] porque Tarcísio a presidente seria uma união de forças, e o PSD estaria junto."
