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Membros do Master e Nelson Tanure buscaram BNDES para comprar estatais de SP
Membros do Master e Nelson Tanure buscaram BNDES para comprar estatais de SP
Por Fábio Pupo, Folhapress
30/01/2026 às 13:39
Atualizado em 30/01/2026 às 16:38
Foto: Divulgação/Arquivo
Sede do BNDES, no Rio de Janeiro
O empresário Nelson Tanure, que atua em diferentes setores e foi alvo da Operação Compliance Zero, levou representantes do Banco Master para reuniões com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) durante o processo de privatização de empresas paulistas. O objetivo dos encontros era buscar recursos para comprar estatais colocadas à venda pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
De acordo com pessoas envolvidas nas negociações, Tanure e representantes do Master pediram apoio financeiro para a compra da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) –primeira privatização da gestão do governador. Além disso, planejavam que o BNDES participasse de um consórcio para a compra da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).
As reuniões foram feitas em 2024 e tiveram participação, entre outros, do diretor financeiro do BNDES Alexandre Abreu. O banco não aceitou as propostas, mas mesmo assim o Phoenix –fundo que tem Tanure como beneficiário final e cujo gestor e administrador é a Trustee DTVM, ligada ao Master– saiu vencedor da privatização da Emae por R$ 1 bilhão.
Já a Sabesp acabou ficando com a Equatorial, única que entregou proposta pela companhia de saneamento, e posteriormente também comprou a Emae (em meio a um imbróglio com Tanure).
Ao lado de Tanure, estava nas reuniões Reinaldo Hossepian, diretor do Master que teve bens bloqueados após a liquidação determinada pelo Banco Central. Também estava presente Karla Maciel, que na época atuava como assessora da área de fusões e aquisições do Master, depois virou CEO da Emae e conselheira da Light –empresa de energia que tem Tanure como acionista.
Tanure chegou a ser apontado pela PF como potencial sócio oculto do Master. O empresário nega essa ligação e diz que só teve relações comerciais com o banco de Vorcaro. Nos casos tratados pela reportagem, afirmou a interlocutores que o Master foi contratado apenas para estruturar o financiamento dos projetos.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli determinou no dia 6 de janeiro o bloqueio dos bens de Tanure no mesmo montante daquele pedido em relação a Vorcaro, controlador do Master, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República.
Tanure foi alvo de busca e apreensão em 14 de janeiro durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mirou pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Master por meio de fundos de investimento. Ao todo, essa ação policial envolveu o sequestro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens de diversas pessoas.
No mesmo dia, Tanure publicou nota dizendo não ser nem ter sido controlador do Master, "tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente". "Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador", afirmou.
Procurado, o BNDES afirmou que não possui nenhuma operação com o Master ou com Tanure. De acordo com o banco federal, o Master sequer tinha limite para operar com o BNDES. "As duas reuniões em questão ocorreram a pedido do empresário Nelson Tanure, que trouxe junto com ele representantes do Banco Master", afirma o BNDES, em nota.
De acordo com o banco, Tanure, além de propor um consórcio com o BNDES para a compra da Sabesp, apresentou em outra reunião a nova administração da Light pós-recuperação judicial para uma possível retomada de crédito junto ao banco federal, o que também não avançou e não aconteceu. "Destacamos que o BNDES também não possui nenhuma operação com a Light", afirma.
"O BNDES é a instituição mais transparente da República. As reuniões em questão seguiram todas as regras de governança do banco e ocorreram com a presença de diversos funcionários de carreira da instituição. Também estão na agenda pública das autoridades presentes", diz a assessoria de imprensa do BNDES, em nota.
