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Estatais têm déficit de R$ 5,87 bi em 2025, 2º maior rombo da série, mostra BC
Estatais têm déficit de R$ 5,87 bi em 2025, 2º maior rombo da série, mostra BC
Por Nathalia Garcia e Idiana Tomazelli/Folhapress
30/01/2026 às 11:40
Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
Agência dos Correios
As empresas estatais registraram um déficit primário de R$ 5,87 bilhões em 2025, segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira (30). Esse foi o segundo pior resultado (em valores nominais) desde o início da série histórica da autoridade monetária, em 2001.
O rombo do ano passado só foi menor do que o registrado em 2024, quando houve déficit recorde de R$ 8,1 bilhões.
A estatística do BC considera as contas de estatais federais, estaduais e municipais, exceto Petrobras e bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Em 2025, o déficit das estatais foi puxado pelo resultado negativo das empresas federais, de R$ 5,1 bilhões. Já as estatais controladas por estados e municípios tiveram um resultado deficitário de R$ 336 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) argumenta que um resultado deficitário não significa que a saúde financeira da empresa está comprometida e que o mais importante, ao olhar para a conta das estatais, é verificar se as empresas estão dando lucro ou prejuízo.
O resultado das estatais foi menos negativo do que o projetado pelo governo federal. Não se trata, porém, de uma melhora estrutural nas contas das empresas.
Segundo técnicos do Executivo, o desembolso dos Correios ficou abaixo do esperado em decorrência da demora na conclusão da operação de crédito de R$ 12 bilhões no fim do ano passado.
O contrato do empréstimo foi assinado em 26 de dezembro, e o dinheiro só entrou na conta no dia 30. Com isso, a companhia não teve tempo hábil para executar todos os pagamentos previstos para regularizar suas dívidas.
Em novembro, o governo havia atualizado a projeção do resultado das estatais para um déficit de R$ 9,2 bilhões. O valor inclusive indicava o risco de estouro da meta fiscal das estatais.
O alvo era um déficit de até R$ 6,2 bilhões, sem contar outros R$ 5 bilhões extras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que ficam fora dessa conta.
A projeção levou a equipe econômica a precisar congelar R$ 3 bilhões do Orçamento Fiscal, que abriga as políticas públicas do Executivo, para compensar o excedente e evitar o descumprimento das regras.
Neste ano, a meta das estatais é um déficit de R$ 6,75 bilhões, fora R$ 5 bilhões em investimentos do PAC, mas o governo conseguiu garantir desde já um espaço extra de R$ 10 bilhões para acomodar despesas ligadas ao plano de reestruturação dos Correios. Na prática, é como se as empresas federais pudessem ter um rombo de até R$ 21,75 bilhões.
