/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Dólar abre em baixa após Copom indicar corte de juros em março

Dólar abre em baixa após Copom indicar corte de juros em março

Por Folhapress

29/01/2026 às 09:49

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Dólar abre em baixa após Copom indicar corte de juros em março

Às 9h20, a moeda americana caía 0,20%, cotada a R$ 5,196

O dólar abriu em queda nesta quinta-feira (29), após o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidir manter a taxa Selic em 15% ao ano pela 5ª vez consecutiva, mas sinalizar corte de juros no encontro seguinte do colegiado, em março.

Investidores também repercutem os dados de dezembro do Caged e a agenda do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que concede entrevista ao jornal Metrópoles nesta manhã.

Às 9h20, a moeda americana caía 0,20%, cotada a R$ 5,196. Na quarta (28), o dólar fechou com variação positiva de 0,01%, a R$ 5,207, e a Bolsa avançou 1,52%, a 184.691 pontos.

O dia foi marcado pela expectativa em torno das decisões de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) e do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

Por aqui, após o fechamento do mercado, o Copom anunciou a decisão de manter a taxa de juros novamente no patamar de 15%. A decisão conservadora, tomada por unanimidade, indicou o início do ciclo de queda da Selic no encontro seguinte, em março.

"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o colegiado do BC no comunicado.

O comitê evitou sinalizar qual será a intensidade dos próximos movimentos, dizendo que "o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo".

Até o fim do ano passado, as apostas sobre o início da flexibilização da política de juros estavam divididas entre janeiro e março deste ano. O cenário de incerteza na política doméstica, a desaceleração gradual da atividade econômica e a volatilidade do ambiente global contribuíram para maior cautela dos economistas, desencadeando uma onda de revisões nas projeções.

Agora, a expectativa é de um início dos cortes em março. Segundo o boletim Focus desta semana, especialistas veem um corte de 0,5 ponto percentual na próxima reunião como o pontapé inicial do ciclo de redução dos juros. A Selic deve encerrar 2026 em 12,25%, segundo essa previsão.

Lá fora, a manutenção da taxa de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75% já era amplamente esperada pelo mercado, apesar da pressão do presidente Donald Trump por mais reduções e da abertura, neste mês, de uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente da instituição.

A decisão da primeira reunião do banco este ano interrompe uma sequência de três cortes consecutivos, que levaram a taxa ao menor nível em três anos. O placar foi de 10 dirigentes a favor da pausa contra 2 dissidentes —Christopher Waller e Stephen Miran—, que votaram por um corte de 0,25 ponto percentual.

No comunicado que acompanhou a decisão, o Fed citou que a inflação ainda está elevada e que o crescimento econômico permanece "sólido". Também afirmou que os ganhos no mercado de trabalho permaneceram baixos, e a taxa de desemprego demonstrou sinais de estabilização.

"A declaração é ligeiramente 'hawkish' [favorável a juros altos], principalmente por mencionar 'sinais de estabilização' no mercado de trabalho e uma revisão para cima nas projeções de crescimento", diz Benito Berber, economista-chefe para as Américas da Natixis. "Isso resultou em uma leve queda nas negociações de moedas da América Latina."

Mais cedo, moedas de mercados emergentes caíram depois que Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, jogou um balde de água fria nos rumores de que os EUA iriam intervir nos mercados de câmbio para apoiar o iene. Quando questionado sobre uma possível intervenção na moeda japonesa, Bessent disse: "De jeito nenhum".

As declarações causaram "um recuo tático de várias moedas de alto rendimento, como o peso colombiano e o peso mexicano", disse Pedro Quintanilla-Dieck, estrategista do UBS.

A especulação sobre a intervenção no iene, juntamente com os riscos da política dos EUA, tem pressionado o dólar esta semana, impulsionando o movimento de rotação de investidores estrangeiros para fora das praças norte-americanas.

Ao mesmo tempo, o tom de Trump sobre a queda do dólar na véspera —"o dólar está indo muito bem"—alimentou especulações de que a moeda norte-americana está no início de um declínio de longo prazo.

O movimento de diversificação tem sido impulsionado, também, pelas incertezas quanto à independência do Fed, alvo de ataques de Trump desde o início do mandato.

O republicano tem exercido pressão para que os juros sejam reduzidos para 1,5%. Conforme a escolha pelo novo presidente do Fed se aproxima —o mandato de Powell termina em maio—, o mercado teme que o republicano opte por um dirigente que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos.

Sobre isso e sobre a investigação criminal em curso, Powell não comentou. Ele se limitou a dizer que não acredita que a independência do Fed está em jogo e manteve suas declarações apenas em torno da política monetária do banco central, ainda que não tenha fornecido pistas para os mercados sobre as próximas decisões de juros.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.