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Haddad afirma que há 'mapa de possibilidades' para recompor receitas no Orçamento de 2026

Haddad afirma que há 'mapa de possibilidades' para recompor receitas no Orçamento de 2026

Ministro citou tributação de operações com criptoativos e imposto de importação como opções

Por Idiana Tomazelli/Folhapress

18/12/2025 às 19:05

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Imagem de Haddad afirma que há 'mapa de possibilidades' para recompor receitas no Orçamento de 2026

O ministro Fernando Haddad (Fazenda)

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse nesta quinta-feira (18) haver um "mapa de possibilidades" para recompor receitas no Orçamento de 2026, após o projeto que corta benefícios fiscais ser aprovado com um alcance menor que o inicialmente projetado.

"Tem um mapa de possibilidades de pequenos ajustes", disse o ministro durante café com jornalistas.

Segundo ele, entre as opções estão a eventual regulamentação da tributação sobre transações com criptoativos, que recentemente tiveram regras definidas pelo Banco Central, e o aumento de Imposto de Importação sobre determinados produtos.

Haddad citou ainda a possibilidade de transações tributárias de grande porte que podem acontecer em 2026, mas ainda não foram contabilizadas nas projeções do Orçamento. A transação tributária é um mecanismo pelo qual União e contribuinte entram em acordo para quitar alguma obrigação pendente.

O ministro também mencionou algumas decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que estão quase em fase de conclusão e que podem reforçar a arrecadação. Ele não detalhou nenhum desses exemplos.

A aprovação da lei do devedor contumaz também deve ajudar o governo a partir do ano que vem, disse Haddad. "Não temos ainda uma análise de impacto, se ela compensa [a arrecadação menor], quanto ela compensa, quanto vai repercutir, mas temos tempo para analisar", afirmou.

O texto define regras mais rígidas para diferenciar as empresas que usam a inadimplência como estratégia de negócios daquelas que enfrentam dificuldades pontuais para quitar tributos. A proposta busca punir aqueles que sonegam de forma recorrente, planejada e sem justificativa legal.

Na noite de quarta-feira (17), o Senado concluiu a aprovação do projeto de lei complementar que reduz em 10% parte dos benefícios fiscais concedidos a empresas.

O texto também aumenta tributos sobre bets (casas de apostas), fintechs e JCP (Juros sobre Capital Próprio), mecanismo usado por grandes empresas para se financiarem e que serve para remunerar sócios e acionistas.

Essas medidas haviam sido anteriormente rejeitadas pelo Congresso, mas foram incorporadas durante a tramitação para ajudar a reforçar a arrecadação do governo. Por outro lado, o corte nos incentivos fiscais foi em parte desidratado.

O projeto agora aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agentes do mercado calculam que o texto deve garantir uma arrecadação extra de R$ 20 bilhões, mesmo número estimado por técnicos do governo de forma preliminar.

À primera vista, pode parecer que não houve perda em relação à projeção original de R$ 19,8 bilhões, apresentada no envio da proposta, no fim de agosto.

No entanto, quando se considera todas as medidas aprovadas (incluindo o aumento de tributos sobre bets, fintechs e JCP), a previsão original de receitas era da ordem de R$ 28 bilhões —ou seja, a versão final foi desidratada em relação ao que foi contabilizado no projeto de Orçamento de 2026.

Além da flexibilização das medidas, há a necessidade de respeitar a noventena, prazo de 90 dias a partir da sanção até que a retirada parcial dos incentivos passe a valer e as empresas recolham mais tributos.

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