Aliados veem pressão de Caiado na expulsão de Sabino; governador confirma
Por Victória Cócolo, Folhapress
26/11/2025 às 18:45
Foto: Agência Brasil/Arquivo
O ministro Celso Sabino (União-PA)
Aliados do ministro Celso Sabino (União-PA) afirmam que o Conselho de Ética do União Brasil sofreu pressão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), para recomendar a expulsão do ministro da legenda. O governador confirma ter atuado.
A executiva nacional do partido ainda vai analisar a recomendação de expulsão, publicada na terça-feira (25). Não há prazo para a deliberação final.
Em outubro, Sabino e Caiado trocaram críticas em declarações à imprensa. Na ocasião, o governador classificou como "imoralidade ímpar" a permanência de Sabino na legenda após o ministro decidir seguir no governo Lula mesmo após a decisão do União Brasil de romper com a gestão petista.
"Como você pode estar filiado a um partido, submetido a regras, e querer ser soldado do Lula e do União Brasil? É por isso que o partido vai tomar decisões para que não exista esse mau exemplo e para que nenhum projeto pessoal fique acima das regras partidárias", afirmou Caiado na ocasião.
Questionado pela coluna se atuou pela decisão, o governador respondeu que sim. "Simplesmente confirmo", disse. O presidenciável acrescentou que o tema é "matéria vencida".
O Conselho de Ética do União Brasil, presidido pelo deputado federal Leur Lomanto Júnior, é composto por outros quatro membros: a ex-deputada Rosiane Modesto de Oliveira, o advogado Manoel Coelho Arruda Junior, o prefeito de Olímpia, Geninho Zuliani, e o deputado Fernando Filho.
Um integrante do partido presente à reunião do grupo, quando Sabino foi comunicado da recomendação, relatou clima de tensão e desconforto entre os participantes. No início do mês, Celso Sabino chegou a tentar negociar a permanência no partido com Rueda, mas o diálogo não avançou.
Aliados do ministro relataram que ele está chateado com a medida e que causa estranhamento o fato de o ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), permanecer no Progressistas — sigla que também desembarcou do governo. "Dois pesos, duas medidas", disse Celso Sabino a interlocutores.
Em outubro, Fufuca foi afastado da vice-presidência do Progressistas, mas permanece no partido.
