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Presidente da Comissão Europeia não prevê ida a reunião com Mercosul e põe em xeque anúncio de acordo

Presidente da Comissão Europeia não prevê ida a reunião com Mercosul e põe em xeque anúncio de acordo

Por Ricardo Della Coletta/Ana Estela de Sousa Pinto/Folhapress

02/12/2024 às 20:00

Atualizado em 02/12/2024 às 20:00

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen

A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, disse nesta segunda-feira (2) que não há previsão de viagem da presidente do órgão, Ursula von der Leyen, para a cúpula do Mercosul em Montevideu. A sinalização coloca dúvidas sobre a possibilidade de conclusão, nos próximos dias, do acordo comercial negociado há duas décadas entre a União Europeia e o bloco sul-americano.

"A agenda da presidente está publicada e lá não há visita para o Mercosul prevista no momento", disse Pinho.

O Mercosul e a UE estão em tratativas há 20 anos para celebrar um tratado de livre-comércio.

A última rodada de negociação técnica terminou na sexta-feira (29) em Brasília. De acordo com o embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, questões pendentes foram submetidas aos líderes dos dois blocos, mas o governo brasileiro mantinha uma visão positiva para o desenrolar das conversas.

Segundo diferentes interlocutores ouvidos pela reportagem, a presença de Von der Leyen era condição fundamental para que um anúncio ocorresse em Montevidéu. Eles também afirmam que a última informação que tinham recebido, antes da declaração desta segunda da porta-voz europeia, é que ela planejava, sim, viajar ao Uruguai.

Esses interlocutores não descartam que Von der Leyen vá de última hora ao Uruguai para sacramentar a negociação, numa estratégia para desviar da oposição que o acordo gera principalmente na França.

O tratado teve sua conclusão anunciada em 2019, ainda no governo Jair Bolsonaro (PL). A agenda negacionista do clima do ex-presidente, porém, impediu que ele fosse enviado para análise do Parlamento Europeu, e as negociações acabaram sendo reabertas no governo Lula 3.

O acordo criaria um mercado comum de 780 milhões de pessoas e um fluxo de comércio de até R$ 274 bilhões em produtos manufaturados e agrícolas. Apesar do apoio de países como Alemanha, Espanha e Itália, o pacto sofre críticas de governos como o da França e da Polônia.

O acordo é atacado, por exemplo, pelos agricultores franceses, que têm protestado bloqueando estradas. O texto cria cotas livres de tarifas para a entrada de produtos do bloco sul-americano na União Europeia, como a carne, em troca de redução recíproca para a importação de automóveis e outros produtos europeus.

Também nesta segunda, outro porta-voz da Comissão, Olof Gill, disse que os contatos técnicos entre a Comissão Europeia e o Mercosul continuam.

"Não é apropriado neste estágio ir a um nível mais detalhado sobre onde precisamente estamos [em relação ao acordo]. Posso dizer que os chefes das negociações se encontraram na semana passada e que progresso construtivo foi feito. Mas, como em todas as negociações, a substância é prioridade sobre a velocidade", declarou.

"Tudo o que posso dizer é que os contatos técnicos continuam."

O presidente Lula (PT) se encontrou com Von der Leyen durante a cúpula do G20, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, de acordo com interlocutores, o petista saiu da reunião otimista com a perspectiva de que uma conclusão das negociações poderia, por fim, ser anunciada.

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