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Bulas de salvação para o planeta devem incluir o trabalhador, por Marcelo Carvalho*

Bulas de salvação para o planeta devem incluir o trabalhador, por Marcelo Carvalho*

Por *Marcelo Carvalho

29/04/2024 às 18:15

Atualizado em 29/04/2024 às 18:15

Foto: Divulgação

O presidente da UGT-BA, Marcelo Carvalho

Até parece distopia: pesquisadores anunciaram em janeiro a descoberta de um clima tão seco na Bahia que parece um deserto. Em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, a sensação térmica foi de 60 graus no último verão, e o calor que suportamos, mesmo com a chegada do outono, dizem os especialistas, tende a se tornar rotina. Estamos preparados para viver e trabalhar num planeta inóspito?

No próximo ano, todas as atenções do mundo estarão voltadas para o Brasil. Precisamente para Belém e a COP 30, a Conferência Internacional do Clima, uma tentativa de se contabilizar o pior e ver o que ainda dá tempo de remediar. Chefes de governo distribuirão as cartas, mas este é um debate que diz respeito à sociedade – povos originários, cidadãos, ambientalistas e trabalhadores diante da demanda por mudanças da matriz energética e da qualificação profissional que os empregos verdes vão requerer.

O aquecimento global provoca uma cadeia de desastres que vão do desmatamento à falta de água, riscos à saúde e queda na produtividade de trabalho. Em seu livro "Ideias para adiar o Fim do Mundo" (Cia das Letras), o ativista indígena Ailton Krenak lembra que resistir está no sangue do seu povo, mas que agora existe "uma tragédia", e ela é global, "um dilema em que parece que a única possibilidade para que comunidades humanas continuem a existir é à custa da exaustão de todas as outras partes da vida".

Com a volta do presidente Lula ao poder nas eleições de 2022, deixamos para trás uma página nefasta de mentiras e desgoverno, o Brasil entrou nos trilhos da reconstrução, e isso passa pelo mundo do trabalho. Estamos na virada de chave com a inserção de novas tecnologias, mas que retiram a formalidade. Motoristas e entregadores de aplicativos são mais de 1,6 milhão de pessoas. Pais de família, jovens que trabalham de sol a sol. Precisamos estar atentos para a proteção dos direitos de quem tanto faz pela economia do país.

Trabalho seguro e decente, igualdade de gênero, direitos humanos e diversidade, preservação do meio ambiente, são pautas que convergem e estão no topo das prioridades das empresas responsáveis e comprometidas com critérios ESG. O consumidor consciente é o primeiro a se perguntar de onde vem a matéria-prima do produto que ele adquire. Tanto faz se é uma bicicleta, uma peça de roupa ou um pacote de alimento. Daí a boicotar marcas é somente um passo.

O Dia do Trabalhador, que comemoramos no dia 1º de maio, é uma data que nos reconecta ao passado e às nossas bandeiras de luta no presente. Mas é também o momento de mirarmos o futuro do Brasil, o seu crescimento e os desafios que teremos de enfrentar. E isso passa pela preocupação com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.

*Marcelo Carvalho é professor, filósofo e presidente da União Geral dos Trabalhadores da Bahia (UGT-BA)

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