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Líder da oposição no Senado vai ao STF para derrubar decretos de Lula sobre saneamento

Líder da oposição no Senado vai ao STF para derrubar decretos de Lula sobre saneamento

Por Iander Porcella e Amanda Pupo/Estadão

14/04/2023 às 18:00

Atualizado em 14/04/2023 às 18:00

Foto: Pedro França/Agência Senado

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN)

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), pediu nesta sexta-feira, 14, ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão imediata dos decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que alteraram o marco do saneamento. O parlamentar argumenta que a medida extrapola os limites do Executivo e viola o direito da população de acesso universal ao saneamento básico de qualidade, previsto na Constituição. Marinho era ministro do Desenvolvimento Regional - antiga pasta responsável pelo setor - quando a lei de 2020 foi aprovada, no governo Jair Bolsonaro.

O senador também afirmou que os decretos de Lula atrasam a desestatização do segmento e privilegiam uma política “defasada” e “falida”. “A estatização do serviço já se mostrou ineficiente e infrutuosa. Essa tentativa de loteamento político, típico do PT, acaba por negar saúde e dignidade para milhões de brasileiros”, declarou o líder oposicionista, em nota.

As medidas editadas pelo presidente no último dia 5 abrem caminho para que estatais estaduais continuem operando os serviços de água e esgoto sem licitação, por meio dos chamados contratos de programa - o que quebra um dos fundamentos da lei sancionada em 2020. Há uma conta de que 1.113 municípios poderão voltar a acessar recursos federais de saneamento depois da permissão trazida pelos decretos para regularização dos contratos.

“Os decretos atentam contra a Constituição, pois convalidam contratos irregulares e entregam o serviço de Saneamento, sem licitação, a estatais sem capacidade de investir para universalizar os serviços de água e esgoto”, escreveu Marinho no Twitter.

Em meio a críticas aos decretos no Congresso, o Palácio do Planalto chegou a convocar uma reunião com líderes partidários da base aliada para esta quinta-feira, 13, mas teve de cancelar o encontro após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chamar as lideranças para uma conversa na mesma manhã. Ainda não há uma nova data para a reunião ocorrer.

No último dia 7, o partido Novo também entrou com ação no STF para pedir a derrubada dos decretos de Lula sobre saneamento. A sigla disse que as medidas têm o objetivo de “repristinar o velho compadrio político das companhias estaduais de saneamento básico, com prejuízo ao atendimento das metas de universalização ainda nesta década”. O processo do Novo é relatado pelo ministro Luiz Fux, relator de ações pelas quais a Corte declarou a validade do marco legal em 2021.

O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, defendeu os decretos e disse esperar que o Congresso mantenha as mudanças no marco legal do saneamento. “O que queremos é o que todo liberal tem defendido, liberdade de escolha para os municípios, para os Estados. Não podemos engessar em um modelo apenas a solução”, disse, em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira, 11.

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