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Que tipo de ajuda Lula pode dar a Jerônimo vindo à Bahia apenas 12 dias antes da eleição?, por Raul Monteiro*
Que tipo de ajuda Lula pode dar a Jerônimo vindo à Bahia apenas 12 dias antes da eleição?, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
25/08/2022 às 07:53
Atualizado em 25/08/2022 às 07:53
Foto: Divulgação

O propalado anúncio da vinda de Lula à Bahia, no próximo dia 20, para dar aquela força na campanha ao governo do companheiro Jerônimo Rodrigues (PT), está sendo visto com desconfiança no próprio grupo e no time adversário de ACM Neto, nome do União Brasil à sucessão estadual e favorito para ganhar a eleição, segundo as pesquisas. O cálculo é o de que faltando apenas 12 dias para a ida dos baianos às urnas, o ex-presidente, que é um fenômeno de público no Estado, também segundo as pesquisas, terá pouca ou quase nenhuma influência sobre os planos do partidário de se eleger governador da Bahia.
Na visão dos 'netistas', compartilhada por alguns petistas, pela data escolhida para pisar os pés em Salvador, Lula cumpriria o papel de não deixar o candidato do PT à deriva, mostrando compromisso com a escolha do partido no Estado, mas sua participação na campanha teria efeito nulo em relação à expectativa de Jerônimo e de seus articuladores de poder ser alavancado por ele nas eleições por meio da associação de seu nome com o do líder maior da legenda, uma forma de ingressar de vez no chamado 'time de Lula', que fez o sucesso de todos os companheiros que o antecederam na disputa ao governo baiano.
A passagem de Lula pela Bahia, com a qual os apoiadores de Jerônimo esperam arrancar um afago direto e empenhado do presidenciável na direção do seu candidato, é apenas uma das estratégias pensadas pelos petistas para tornar o apadrinhamento de Jerônimo por ele como algo vivo e atual na cabeça do eleitor, impedindo a consolidação do fenômeno do voto Lula/Neto, já percebido em parte do eleitorado, sobretudo do interior, que tem se tornado um verdadeiro desafio à tradição de casamento entre as campanhas estadual e presidencial que marcou pelo menos as últimas quatro eleições no Estado.
Um primeiro sinal de que a estratégia seria viável foi um video que Lula gravou afirmando que Jerônimo é seu candidato, o qual, no entanto, segundo alguns petistas, teria sido arrancado a fórceps junto à coordenação da campanha do ex-presidente, e vem sendo divulgado e exibido pela articulação de Jerônimo como um grande troféu. A cautela do líder petista, de resto adotada em todos os Estados em que o PT não desponta com vantagem para levar a sucessão, explica-se pela sua compreensão de que a batalha pela Presidência da República está longe de ter sido vencida contra o bolsonarismo.
Sob essa ótica, ainda que não queira, Lula não pode de jeito nenhum desprezar, pelo menos sob o cenário do primeiro turno, candidatos nos Estados que, embora adversários locais do PT, não lhe sejam hostis, como Neto. Aliás, se para Jerônimo é uma necessidade ter Lula pedindo votos para ele, para Neto é um luxo ver o ex-presidente limitar-se a anunciar que apoia o nome do PT ao governo da Bahia sem dirigir qualquer ataque ou ofensa à sua figura, quadro que desde o princípio colocou como valioso, do ponto de vista eleitoral, tanto para si quanto para o candidato presidencial petista na Bahia.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
