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Inquérito da PM é inconclusivo sobre motivações do soldado Wesley; surto por razão política é hipótese
Inquérito da PM é inconclusivo sobre motivações do soldado Wesley; surto por razão política é hipótese
Por Davi Lemos
21/10/2021 às 18:37
Atualizado em 21/10/2021 às 19:54
Foto: Divulgação/GOVBA/Arquivo

A Polícia Militar, durante entrevista coletiva virtual realizada na tarde desta quinta-feira (21), juntamente com representantes do Ministério Público, apresentou a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou os fatos que resultaram na morte do soldado Wesley Soares de Góes, em março deste ano, no Farol da Barra, em Salvador, em que apontou que há somente uma hipótese de que ele tenha agido em função de um "surto psicótico vinculado a questões ideológico-partidárias".
A coletiva contou com as participações do corregedor-geral da PM, coronel César Magnavita, do oficial encarregado pelo IPM e corregedor-adjunto da PM, tenente coronel Agnaldo Ceita, e dois representantes do Ministério Público que acompanharam as investigações. Segundo o exposto pelos oficiais militares, não havia quaisquer relatos de instabilidade profissional, familiar ou financeira na vida do Soldado Wesley que tivessem motivado a sua ação. Também não havia indícios de problemas psicológicos ou psiquiátricos, uma vez que o soldado não tinha feito acompanhamentos nas referidas especialidades que apontassem algum distúrbio.
Segundo o relato dos oficiais, somente no dia anterior à ação e morte do soldado Wesley, ele apresentou comportamento inquieto, o que levou a família, sem sucesso, a realizar atividades para tranquilizá-lo. Sobre a hipótese de motivação "político e ideológica", o inquérito se baseia somente em escritos de Wesley, já que a quebra do sigilo do militar não demonstrou que ele participasse de grupos políticos.
“O manuscrito do soldado relatava cenários futuros em relação a campanhas eleitorais, mas não trazia motivação suficiente para ações. Também foi levantada possibilidade de ação de terceiros, que poderiam tê-lo induzido. Com laudos e quebras de sigilo não houve confirmação”, disse o coronel Agnaldo Ceita.
A PM também descartou que ele tenha sofrido estresse por conta de ações de fechamento de estabelecimentos - o que chegou a ser alegado - ou por transferência de local de atuação. Segundo o inquérito policial militar, não havia na localidade onde ele atuava ações para fechamento de estabelecimentos por conta da ocorrência da pandemia. As duas conclusões foram também baseadas em relatos dos familiares do Soldado Wesley.
Legítima Defesa
Os militares do Batalhão de Operações Militares Especiais (Bope), responsáveis pela contenção do Soldado Wesley, agiram, segundo o inquérito, dentro do princípio da legítima defesa e não responderão criminalmente pela morte do colega. Segundo o relatado na coletiva de imprensa, Wesley, mesmo após alvejado na perna, continuou a atirar contra as equipes do Bope que estavam na Barra. O militar portava um fuzil 556 e duas pistolas (uma delas de uso pessoal).
No laudo cadavérico, foi apontado que oito disparos atingiram o policial militar, um deles de raspão. Dos outros sete tiros, seis o atingiram em extremidades do corpo, como mão, ombro e perna. O disparo que atingiu a cintura do soldado Wesley foi o que causou o óbito devido a uma hemorragia interna.
A promotora Isabel Adelaide, um dos dois membros do MP que acompanharam o inquérito, disse que não poderia se manifestar quanto ao mérito da investigação, mas declarou que os procedimentos do inquérito policial militar ocorreram dentro da legalidade.
Durante a entrevista coletiva, foi levantada a versão trazida à cena pública pelo deputado estadual Soldado Prisco, de que Wesley teria efetuado os disparos em diagonal, para cima. Os oficiais responsáveis pelo inquérito disseram que perícia da Polícia Técnica apontou que o soldado atirou contra os membros do Bope, que foram, portanto, obrigados a reagir.
Ainda segundo os oficiais, havia seis militares do Bope autorizados a atirar no soldado Wesley, o que, segundo o inquérito, inviabilizaria a hipótese de excesso na reação, uma vez que ele foi atingido oito vezes. No âmbito do Ministério Público, o inquérito finalizado pelo Polícia Militar será analisado por promotores ligados à Auditoria Militar.
