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'Estou frustrado de estarmos aqui há 2 anos sem vender nenhuma estatal', diz Guedes

'Estou frustrado de estarmos aqui há 2 anos sem vender nenhuma estatal', diz Guedes

Por Folha de S.Paulo

10/11/2020 às 11:30

Atualizado em 10/11/2020 às 11:30

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (10) que se sente frustrado pelo fato de o atual governo estar há dois anos no poder sem vender estatais. Ele afirmou que a atual gestão foi eleita com o discurso das vendas, mas que acordos políticos impedem o avanço da agenda e que é preciso cumprir o prometido durante a campanha.

"Estou bastante frustrado de estarmos aqui há dois anos e não termos conseguido vender nenhuma estatal. É bastante frustrante", afirmou em evento sobre desestatização promovido pela CGU (Controladoria-Geral da União).

Guedes lembrou que Salim Mattar, seu antigo secretário especial de Desestatização, saiu do cargo após constatar que seu trabalho não renderia resultados expressivos dada a pouca disposição de agentes políticos em vender as empresas.

"Entrou outro com muita determinação e mais juventude. Quem sabe ele aguenta o tranco e vai conseguir entregar mais", afirmou Guedes em referência ao substituto de Mattar, Diogo Mac Cord. "Ele só tem que fazer um gol para ganhar. Porque no outro ficou zero, não fizemos nada. Isso é lamentável", disse o ministro.

Guedes disse que acordos políticos no Congresso têm barrado as vendas e falou em tom de cobrança do próprio governo.

"Essa missão está acima da política partidária, que inclusive impediu que nós avançássemos [com] acordos políticos impedindo as privatizações. E o governo liberal-democrata que foi eleito e que falou o tempo inteiro que ia privatizar, aí tem acordo político de repente na Câmara e no Senado que não deixa privatizar. Que história é essa?", disse Guedes.

"Precisamos recompor nosso eixo político para conseguir fazer as privatizações prometidas durante a campanha", afirmou.

O governo discute no momento como fazer privatizações de empresas como Correios e Eletrobras, mas ainda encontra resistências principalmente no Congresso.

Apesar disso, têm avançado as vendas de subsidiárias de estatais. Exemplo disso é a BR Distribuidora, que teve seu controle vendido em 2019 e, por isso, já não é mais uma estatal.

O ministro repetiu que sua intenção ao vender ativos estatais como empresas e imóveis é levantar recursos para reduzir a dívida pública e diminuir o montante pago em juros. Com isso, afirmou, mais dinheiro sobraria para políticas públicas como em segurança.

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