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Olívia Santana celebra eleição para Câmara Federal e chegada de Vilma Reis à Assembleia

Olívia Santana celebra eleição para Câmara Federal e chegada de Vilma Reis à Assembleia

Por Carine Andrade, Política Livre

28/10/2026 às 15:18

Atualizado em 28/10/2026 às 16:15

Foto: Política Livre

Imagem de Olívia Santana celebra eleição para Câmara Federal e chegada de Vilma Reis à Assembleia

A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB

Eleita deputada federal no último dia 4, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) comemorou a chegada da socióloga Vilma Reis (PT) à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), onde ocupará a cadeira deixada por ela como única mulher negra do Parlamento. As duas fizeram uma campanha conjunta e, segundo Olívia, a parceria representa o fortalecimento da luta das mulheres negras por espaço nas instâncias de poder.

Em entrevista a este Política Livre, na última terça-feira (27), Olívia Santana relembrou sua trajetória como primeira mulher negra eleita vereadora em Salvador e também a primeira mulher negra a conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia. Agora, será a primeira mulher negra baiana a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. 

“Eu vou ser a única mulher preta na bancada federal da Bahia, mas vou fazer valer esse voto, vou honrar esse voto de confiança que o povo me deu. Vou honrar a confiança recebida nas urnas e dar visibilidade às pautas da população negra no Congresso Nacional”, declarou.

A comunista destacou a identificação política e a troca de apoio entre ela e Vilma durante a campanha eleitoral. Militantes do movimento negro, as duas construíram uma dobradinha que, na avaliação de Olívia, contribuiu para o resultado nas urnas e para a ampliação da representação feminina negra nos espaços institucionais.

“Eu fiz uma campanha muito casada com Vilma Reis. Nós somos duas militantes do movimento negro, então foi uma ajuda mútua. Tanto meu eleitorado se identificou com ela quanto o dela se identificou comigo, e a gente pôde fazer essa troca muito positiva”, afirmou.

Com a mudança de Olívia para a Câmara Federal, Vilma assumirá a representação na Assembleia Legislativa garantindo a continuidade da presença de uma mulher negra na bancada. Para a comunista, a conquista é importante, mas ainda está distante da representação proporcional à dimensão da população negra na Bahia.

“Agora eu estou saindo da Assembleia, mas vai ter mulher preta na Assembleia porque Vilma Reis também está chegando. Será uma aqui, mas sempre sinalizando que queremos muito mais. Agora somos duas: ela aqui e eu na bancada federal”, disse.

'Ser impaciente, ser insurgente'

Ao avaliar os avanços na ocupação de espaços de poder por mulheres negras, Olívia reconheceu que a transformação ocorreu de maneira lenta, mas defendeu a continuidade da mobilização política e social. Para ela, a luta não pode depender apenas da paciência com o ritmo das mudanças, mas exige enfrentamento e disposição para romper barreiras históricas.

“Os passos são tão lentos, mas a gente não pode perder a capacidade de lutar. Não é nem ter paciência porque vai mudar, é ser impaciente, ser insurgente e acreditar”, afirmou.

A deputada também ressaltou o crescimento da presença de parlamentares negros e de esquerda nos espaços legislativos, embora considere a ampliação ainda insuficiente. Na avaliação dela, a eleição de novas representantes, como Vilma Reis e Maria Marighella (PT), esta última também eleita deputada federal, demonstra que a disputa por representatividade pode produzir resultados concretos, mesmo diante das dificuldades.

“Às vezes a gente perde, mas às vezes também a gente ganha, como é o exemplo dessa campanha incrível, dura, mas que resultou na minha eleição, na eleição de Vilma, na eleição de Marighella”, declarou.

Olívia concluiu defendendo que as conquistas recentes sejam tratadas como etapas de uma luta mais ampla. Para ela, a presença de mulheres negras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados amplia as possibilidades de defesa das pautas históricas do movimento negro, mas ainda há um longo caminho para que essa participação corresponda à realidade social da Bahia.

“Ainda é aquele voo de galinha, um voo baixo, ainda muito pequeno para a imensidão que a gente tem na Bahia, mas a gente vai chegar lá. Eu acredito e luto por isso”, frisou.

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