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Nikolas ignora carta golpista de Flávio Bolsonaro e defende boicote a empresas de petistas

Nikolas ignora carta golpista de Flávio Bolsonaro e defende boicote a empresas de petistas

Por Luana Lisboa, Folhapress

30/10/2026 às 14:40

Foto: Vittor Sales/Divulgação/PL/Arquivo

Imagem de Nikolas ignora carta golpista de Flávio Bolsonaro e defende boicote a empresas de petistas

Deputado, principal rosto da campanha de Flávio no segundo turno, brincou com autoproclamação do senador como presidente

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) evitou criticar a carta golpista de Flávio Bolsonaro (PL) e usa as redes sociais para defender o boicote a estabelecimentos supostamente ligados à esquerda após a vitória de Lula (PT) no domingo (25).

A postura vai na contramão da adotada por aliados do filho de Jair. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que ninguém aprovou a carta e que o partido quer seguir em frente. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, afirmou que nem ele nem o partido podem dizer que houve fraude nas eleições por falta de provas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais fiadores de Flávio, disse entender a indignação do aliado, mas afirmou que o caminho é respeitar o resultado das urnas. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, também defendeu o respeito ao resultado.

Depois de ser criticado pelo ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) pela suposta falta de engajamento, Nikolas foi o principal rosto da campanha de Flávio no segundo turno. Os atos de rua impulsionados por ele, com trios elétricos e jingles, foram batizados de Bloco do 22 e passaram a concentrar boa parte da agenda do senador na reta final.

Procurado via assessoria de imprensa, o deputado não respondeu até a publicação da reportagem.

Na carta, divulgada após a chegada a Miami, Flávio se apresentou como "verdadeiro presidente eleito", em gesto que remete ao de Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, em 2019. Depois, em uma nova versão da carta publicada nas redes sociais, trocou a expressão por "líder do Brasil".

Ao se referir ao documento, o deputado fez piada. Na quarta-feira (28), escreveu que a esquerda zombava de Flávio por ter se "autodeclarado" presidente e perguntou se estaria liberado zombar de quem se autodeclara alguma coisa. A publicação teve mais de 6 milhões de visualizações e 127 mil curtidas no X.

No Instagram, Nikolas publicou um vídeo em apoio ao boicote a empresas de eleitores de Lula, e chegou a 2,9 milhões de curtidas. No X, na quinta-feira (29), divulgou um vídeo de 19 segundos com a frase "faz o L e engole o choro", em resposta a uma conta de paródia que mostrava uma mulher, apresentada como esquerdista, reclamando que clientes de direita deixaram de frequentar seu comércio.

Antes, Nikolas já havia incentivado comerciantes de esquerda a colocar uma bandeira do PT na entrada de seus estabelecimentos, de modo a identificar os negócios a serem boicotados. O empresário Facundo Guerra, do Grupo Vegas, criticou o post e comparou a prática a perseguições do período nazista.

As publicações ocorrem em meio à circulação de listas de boicote divulgadas por apoiadores de Flávio. O Ministério da Justiça notificou ao menos quatro empresas que teriam recusado atendimento a apoiadores de Lula e afirma que os casos podem configurar prática abusiva e publicidade discriminatória.

Também na quarta, o deputado afirmou que o ministro que queria impedir a saída de Flávio do Brasil seria o mesmo consultado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para deixar o país. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes, a pedido da Polícia Federal.

Flávio deixou o país sem entregar os passaportes. Ele é alvo de investigação sobre recursos recebidos de Vorcaro para financiar "Dark Horse", filme sobre a vida do pai, e nega irregularidades.

O senador chegou com a mulher e duas filhas a Miami nesta quarta-feira (28). A carta de Flávio nos EUA teve ao menos quatro versões, duas publicadas pelo próprio senador em rede social e duas por aliados próximos da família Bolsonaro —uma das quais chegou a trazer um brasão com a palavra "Brazil", escrita com z.

A teoria golpista, sem fundamento ou provas, repete o que dizem bolsonaristas nas redes. Flávio já havia dito no domingo que não reconhecia a vitória do rival porque a Justiça Eleitoral aceitou esticar em duas horas o horário de votação, algo que seu próprio partido também pediu em algumas localidades. Na segunda, porém, antes da fuga do Brasil, havia modulado o discurso, falando em liderar a oposição.

No período da prorrogação da votação, pouco mais de 34 mil votos foram computados, e por fim o PL desistiu de protocolar ação pedindo a nulidade do pleito.

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