/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Meta veiculou no Brasil anúncios políticos ilegais pagos no exterior, diz pesquisa

Meta veiculou no Brasil anúncios políticos ilegais pagos no exterior, diz pesquisa

Empresa lucrou ao menos R$ 2 mi com propaganda originada principalmente dos EUA

Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

15/10/2026 às 21:40

Foto: Reprodução

Imagem de Meta veiculou no Brasil anúncios políticos ilegais pagos no exterior, diz pesquisa

A Meta é dona do Facebook, Instagram e WhatsApp

A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, veiculou nas redes sociais, entre julho e setembro de 2026, ao menos 1.613 anúncios políticos irregulares no Brasil. É o que aponta levantamento do NetLab (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O gasto com os anúncios, de R$ 2 milhões, foi similar ao de campanhas de políticos como Fernando Haddad (PT), que gastou R$ 2,4 milhões entre 5 de julho e 3 de outubro com anúncios na Meta sobre a campanha ao Governo de São Paulo.

A propaganda estrangeira foi veiculada sobretudo por páginas apócrifas e com fonte pagadora nos Estados Unidos, origem de 98,1% do total de anúncios que informaram a localização (1.076).

As peças publicitárias descumprem uma série de regras eleitorais, que não autorizam publicidade vinda de fonte estrangeira nem o impulsionamento de anúncios políticos por atores diferentes de candidatos, partidos, federações e coligações.

Parte dos anúncios veiculou propaganda negativa contra postulantes, cujo impulsionamento é proibido por lei. Também foram encontrados materiais sem o rótulo de "propaganda eleitoral" e sem a informação da fonte pagadora, o que é vetado pela legislação.

Para chegar aos anúncios, foi feita a coleta na biblioteca da Meta a partir de termos relacionados aos candidatos e às eleições. Foram considerados aqueles com pagamento em moeda diferente do real.

Para os pesquisadores, os dados indicam a circulação de peças publicitárias visando a incidir sobre a disputa eleitoral brasileira, e a empresa só agiu para restringir o conteúdo ilegal após lucrar com ele.

As 1.613 peças político-eleitorais identificadas pela equipe foram impulsionadas por 187 anunciantes, totalizando o gasto de R$ 2 milhões, valor referente à conversão das moedas estrangeiras com base nas cotações de 1º de outubro de 2026.

Quase a totalidade, 99,5%, foi paga em dólar americano. As peças tiveram 171,1 milhões de impressões (número de vezes em que um anúncio foi exibido em telas), e 70 candidatos foram mencionados.

"É escandaloso que a Meta tenha ganhado R$ 2 milhões veiculando anúncio absolutamente ilegal durante as eleições brasileiras. Isso aponta falhas sistêmicas que são problemáticas e podem afetar as eleições", afirma Marie Santini, diretora do Netlab UFRJ.

A principal fonte pagadora identificada foi a Corporativo Lam, LCC, responsável por 97,3% dos anúncios com identificação do pagador (1.076). A pesquisa não aponta a quem esta fonte pagadora está vinculada, mas identificou que ela promoveu ou atacou "diferentes candidatos, muitas vezes de forma contraditória, dificultando a compreensão dos objetivos e das estratégias políticas dessas campanhas".

Segundo o levantamento, a Corporativo Lam pode ter investido, sozinha, até R$ 1,6 milhão em propaganda eleitoral nas plataformas da Meta, o maior volume entre todas as fontes pagadoras identificadas.

Os anúncios foram veiculados inicialmente sem a classificação de "assunto político" e depois recategorizados ou retirados de circulação, mas depois de terem atingido milhares de brasileiros. Com isso, a empresa lucrou com ilícitos que podem impactar diretamente o processo eleitoral brasileiro "sem oferecer informações suficientes para identificar os interesses políticos envolvidos", na opinião dos especialistas.

Em nota à reportagem, a Meta diz que "como o próprio estudo reconhece, os anúncios analisados foram identificados e posteriormente recategorizados ou, quando aplicável, retirados de circulação por violarem nossas políticas", afirma a empresa.

"Além disso, o estudo engloba anúncios veiculados a partir de julho, antes do período oficial de campanha. Nosso processo de análise possui diversas camadas de revisão e detecção, antes e durante a veiculação".

Para os pesquisadores, porém, a correção depois da veiculação evidencia uma "deficiência sistêmica da governança de publicidade da Meta, baseada em um controle reativo do conteúdo impulsionado, que busca combatê-lo apenas após sua veiculação, sem mecanismos robustos de verificação e aprovação prévia, como a empresa afirma oferecer".

A cifra de R$ 2 milhões vinda do exterior colocaria a categoria, se fosse um candidato, na 11ª colocação no ranking dos maiores investidores em publicidade política nas plataformas da Meta durante o período analisado.

Nessa classificação, Haddad fica em sexto lugar, com R$ 2,4 milhões, antecedido por Tarcísio de Freitas, com R$ 3 milhões. Encabeçam a lista os presidenciáveis Lula (PT), com R$ 9,4 milhões, e Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 6,8 milhões.

O valor, entretanto, é provavelmente muito abaixo do lucro real da Meta com a modalidade, uma vez que o levantamento só considerou anúncios que a própria empresa reclassificou como políticos depois de deixar circular de maneira ilegal. Com isso, pode haver muito mais anúncios irregulares que os pesquisadores não conseguiram acessar.

"Para ter noção do nível do problema, teria que haver transparência da totalidade de publicidade de anúncio que acontece na Meta, seja marcado como político ou não. Porque eu só consigo ver o que a plataforma diz que é político", explica Marie Santini. "A gente só vai ter condições de entender o tamanho desse problema se houver transparência total da publicidade que circula na Meta".

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.