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Lula segue líder em popularidade digital, mas distância para Flávio Bolsonaro diminui

Lula segue líder em popularidade digital, mas distância para Flávio Bolsonaro diminui

Índice foi calculado até quinta-feira; presidente chega ao debate da Globo mais à frente do que estava na véspera do confronto da Band

Por Tamara Nassif/Folhapress

23/10/2026 às 20:30

Foto: Reprodução

Imagem de Lula segue líder em popularidade digital, mas distância para Flávio Bolsonaro diminui

Lula e Flávio Bolsonaro

O presidente Lula (PT) mantém a dianteira em popularidade digital às vésperas do último debate da eleição presidencial, mas a distância para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesse terreno diminuiu.

A diferença entre os dois candidatos à Presidência agora é de 4,1 pontos no IPD (Índice de Popularidade Digital) da empresa de pesquisa e consultoria Quaest. Na segunda-feira (19), após o debate da Band, a distância era de 6,7 pontos.

Calculado por um algoritmo que coleta e processa 175 variáveis das plataformas Facebook, Instagram, X (ex-Twitter), TikTok, YouTube, Google e Wikipédia, o índice traz resultados que variam de 0 a 100 pontos.

Lula marca 81,1 pontos, perdendo fôlego em relação à máxima de 83,3 pontos, mas ainda acima dos 70,7 pontos registrados no primeiro turno. Flávio Bolsonaro registra 77 pontos, 0,3 ponto acima do patamar de segunda-feira e 3 pontos abaixo do dia em que o alçou à liderança da disputa presidencial. O monitoramento foi feito até quinta-feira (22).

A aposta da base petista é em volume: Lula publicou 109 vezes na quinta-feira, quando realizou uma live com o deputado eleito André Janones (Rede-MG), principal articulador da mobilização digital do presidente. O canal alcançou 10 milhões de seguidores nesta sexta (23).

Já Flávio mira concentração e retenção: com 14 postagens na quinta-feira, teve média de 175 mil curtidas por publicação, contra 125 mil do petista. O dado mostra um salto de 146% frente às postagens do dia anterior, quando cada publicação tinha 71 mil curtidas.

Lula registra 23 mil comentários por postagem; Flávio, 11 mil. Essa métrica mostra que "a conversa é do presidente, mas a atenção, nem tanto", diz o diretor da Quaest.

Ainda assim, o presidente chega ao debate da Globo mais à frente do que estava na véspera do confronto da Band, quando a diferença para o senador era de 3,3 pontos.

O IPD monitora cinco métricas: presença nas principais redes sociais; fama (visibilidade e alcance de conteúdo); engajamento; mobilização (compartilhamento e menções espontâneas); valência (razão entre reações positivas e negativas); e interesse (acessos e volume recente de buscas).

O algoritmo do indicador ainda é calibrado para reduzir o "ruído" das redes, principalmente de bots, para conseguir chegar o mais próximo possível do comportamento real do eleitor.

"No pós-debate da Band, Lula chegou a abrir vantagem no IPD, mas o efeito durou poucos dias: a distância oscilou e voltou a um patamar próximo ao de antes", diz Felipe Nunes, diretor da Quaest.

"Lula chega ao último debate um pouco mais à frente do que chegou àquele. E é isso que Flávio Bolsonaro busca reverter hoje. Aquele encontro mostrou que debate gera atenção, mas não necessariamente muda posições. A pergunta de hoje é se algum dos dois consegue transformar audiência em crescimento".

Os candidatos agora tentam corrigir os excessos e os escorregões que marcaram o primeiro embate. Do lado de Flávio, o esforço será para não aumentar a própria rejeição —aliados avaliam que o clima de vale-tudo não beneficiou o senador, e que seria necessário suavizar a postura de ataque. Do lado de Lula, a tentativa será de não se abalar com provocações.

"Lula chega ao debate com 94% dos comentários, mas com o interesse de busca em queda há três dias e abaixo do patamar da Band. As buscas por Flávio subiram no período, mas o indicador mede atenção, não preferência: na reta final, parte dessa procura pode refletir a mobilização adversária em torno do nome do candidato".

Janones tem orientado a "tropa digital" do presidente a impulsionar buscas contra Flávio Bolsonaro. Advogados do senador entraram com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e acusaram a campanha petista de articular uma operação para influenciar os resultados de buscas no Google.

O termo "Bolsonaro mandou matar Lula", por exemplo, registra salto de 5.000% no Google Trends entre essa semana e a passada.

Nunes afirma que o IPD tem sido uma espécie de termômetro do resultado das eleições. "Há um alto nível de correlação entre aquilo que o IPD mostra e o que a urna mostra", afirma, acrescentando que a correlação, hoje, é de 86%.

Então líder no IPD, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do rival.

O Datafolha divulga a última pesquisa de intenção de voto no sábado, véspera da eleição. Na quinta-feira (22), Lula e Flávio Bolsonaro apareceram empatados, com 50% cada entre os votos válidos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima e para baixo.

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