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Kassio manda Meta apresentar em 24 horas relatório detalhado sobre ações do 'Exército do Lula'

Kassio manda Meta apresentar em 24 horas relatório detalhado sobre ações do 'Exército do Lula'

Presidente do TSE quer explicação sobre diferenças entre 'mobilização legítima' e 'comportamento coordenado potencialmente irregular'

Por Isadora Albernaz/Patrícia Campos Mello/Folhapress

22/10/2026 às 17:45

Foto: Leobark Rodrigues/TSE

Imagem de Kassio manda Meta apresentar em 24 horas relatório detalhado sobre ações do 'Exército do Lula'

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (22) que a Meta apresente, em até 24 horas, um relatório detalhado sobre as atividades do canal no WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Entre as informações, o ministro pede que a empresa de tecnologia explique quais critérios usa para diferenciar "mobilização legítima" e "comportamento coordenado potencialmente irregular" e cobra uma análise dos padrões de engajamento e distribuição dos conteúdos do grupo.

A decisão foi tomada após pedido apresentado pela equipe jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições, no próximo domingo (25).

Especialistas ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo afirmam que a coordenação usada no canal Exército do Lula não fere as regras do TSE, nem o plano de conformidade apresentado pela Meta.

Para Pablo Ortellado, professor de políticas públicas da USP (Universidade de São Paulo), "coordenar seguidores para buscar um termo ou subir uma hashtag é expressamente permitido pela resolução do TSE e a petição [da campanha de Flávio Bolsonaro] não aponta uso de contas falsas".

"Se houvesse ilicitude, ela teria de estar no conteúdo ou no impulsionamento. No conteúdo, parte dos termos repete associações a crime que o TSE já mandou remover, mas outra parte é crítica política e a petição trata tudo como uma mesma coisa".

Quanto ao que se relaciona a dinheiro, ele diz que a petição aponta "um anúncio anônimo, mas não mostra a ligação do anúncio com a campanha".

Na visão de Francisco Brito Cruz, sócio e diretor da consultoria Input, é preciso distinguir coordenação de inautenticidade.

"A coordenação é parte absolutamente normal de uma campanha eleitoral: pessoas se organizam para divulgar mensagens, promover hashtags e mobilizar apoiadores. A inautenticidade aparece quando há elementos de fraude ou dissimulação, como contas falsas e identidades fraudulentas usadas para enganar o público sobre quem está por trás de uma operação".

Para ele, pelos fatos apresentados na petição, não há demonstração desses elementos. "A mobilização é pública e seu organizador é conhecido", diz Cruz. "Portanto, não é possível transformar toda mobilização coordenada em comportamento ilícito. Seria inverter a lógica da regulamentação eleitoral".

"Convocar apoiadores para pesquisar alguma coisa no Google ou publicar uma hashtag no X não significa, por si só, manipular ilegalmente um algoritmo. São funcionalidades ordinárias dessas plataformas, que existem justamente para permitir que pessoas busquem informações e participem de conversas públicas. O próprio X incentiva a participação nos assuntos do momento. Aumentar a visibilidade de uma mensagem por meio da mobilização de pessoas reais não é, por si só, uma infração eleitoral".

Procurada, a Meta não respondeu ao questionamento até a publicação desta reportagem.

O artigo 28, parágrafo 6º-A, da Resolução 23.610 do TSE admite campanhas organizadas para ampliar o alcance orgânico de mensagens políticas, inclusive com compartilhamentos simultâneos e hashtags.

Já a Portaria 463, de 27 de julho, determina que as plataformas distingam expressamente a coordenação legítima das redes inautênticas.

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