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Fed mantém juros entre 3,75% e 4% às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA
Fed mantém juros entre 3,75% e 4% às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA
Decisão é aprovada por dez votos, com dois dirigentes defendendo alta de 0,25 ponto percentual
Por Folhapress
28/10/2026 às 17:25
Atualizado em 28/10/2026 às 17:14
Foto: Reprodução
O presidente do Fed, Kevin Warsh
O Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) manteve os juros na faixa entre 3,75% e 4% nesta quarta-feira (28), como esperado por analistas, e deixou novas decisões condicionadas à evolução dos dados econômicos, às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na próxima semana.
Em comunicado, a instituição afirmou que novas informações ajudarão a definir os próximos passos da política monetária e reiterou a preocupação com a inflação, que segue acima da meta de 2%.
"O acúmulo de mais informações ajudará o Comitê a determinar a orientação de política monetária adequada para assegurar o retorno da inflação, em tempo hábil, à meta de 2% do Comitê", afirmou o Comitê Federal de Mercado Aberto, responsável pela definição dos juros. "O Comitê garantirá a estabilidade de preços".
Entre os membros do comitê responsável pela decisão, dez votaram pela manutenção dos juros, enquanto dois foram dissidentes. Lisa Cook, alvo de uma tentativa do presidente Donald Trump de removê-la do banco central, e Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.
O comunicado mais recente do Fed representa uma mudança significativa em relação ao da reunião de 15 e 16 de setembro, ao trazer um indício do tipo de orientação futura que o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou querer evitar.
A avaliação do Fed sobre a economia passou de uma expansão "sólida", descrita na reunião de setembro, para uma expansão "forte". Os investimentos continuaram sendo considerados robustos, enquanto o crescimento do emprego acompanhava o da força de trabalho.
O resultado da reunião desta semana era amplamente esperado, depois que dirigentes do Fed indicaram não ver urgência em elevar novamente os juros. Em setembro, o banco central já havia elevado a taxa em 0,25 ponto percentual, na primeira alta desde julho de 2023.
Os dados econômicos, contudo, continuam preocupando. O CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) mostrou que a inflação nos EUA acelerou em setembro, pressionada pela alta da gasolina. O indicador subiu 0,6% no mês e 3,7% em 12 meses.
O Fed utiliza o PCE (índice de preços das despesas de consumo pessoal, na sigla em inglês) como referência para sua meta de inflação de 2%. O indicador avançou 3,4% em 12 meses até agosto. A variação referente a setembro será divulgada nesta quinta-feira (29).
"O Comitê afirmou que a acumulação de mais informações o ajudará a determinar a postura de política monetária adequada para assegurar um retorno tempestivo da inflação à meta de 2%, e reiterou o compromisso de entregar a estabilidade de preços. A nosso ver, trata-se de uma pausa tática, e não de uma mudança de rota: o Fed condiciona o próximo passo aos dados, sem renunciar ao viés de aperto", afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a mudança mais importante está na sinalização. "Em setembro, o comitê justificou a alta dizendo que ela ajudaria a levar a inflação mais rápido à meta de 2%. Agora, afirma que o acúmulo de mais informações vai ajudar a definir a postura adequada para trazer a inflação de volta à meta no tempo certo", diz.
A decisão ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A inflação e o custo de vida têm sido temas centrais na disputa, que determinará se o Partido Republicano, de Donald Trump, manterá o controle do Senado e da Câmara dos Representantes a partir da próxima terça-feira (3) ou se os democratas assumirão a liderança das duas Casas e terão poderes de fiscalização mais amplos, inclusive sobre o Fed.
Os investidores esperam que novas altas de juros sejam necessárias a partir de dezembro, com aumentos também em 2027, para conter a inflação, que está cerca de 1 ponto percentual acima da meta do Fed e tem apresentado pouca desaceleração nos últimos meses.
O banco central dos EUA não atinge sua meta de inflação há cinco anos e meio. Isso levou alguns dirigentes a temer que empresas e famílias estejam se acostumando a aumentos de preços mais rápidos e passem a tomar decisões com base nessa expectativa, o que dificultaria o controle da inflação.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, 87,4% das apostas do mercado apontam para uma alta de juros na reunião marcada para os dias 8 e 9 de dezembro.
