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Dólar oscila perto da estabilidade em último pregão antes do segundo turno, com Datafolha no radar
Dólar oscila perto da estabilidade em último pregão antes do segundo turno, com Datafolha no radar
Por Júlia Galvão/Folhapres
23/10/2026 às 09:45
Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil
O dólar abriu com oscilações nesta sexta-feira (23)
O dólar abriu com oscilações nesta sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial, que será realizado no domingo (25). Às 9h29, a moeda registrava leve queda de 0,03%, cotada a R$ 5,036.
Os investidores repercutem a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22), após o fechamento do mercado, que aponta empate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na disputa pela Presidência. Os dois candidatos têm 50% dos votos válidos, considerando o arredondamento. Sem arredondar, o senador aparece com 50,47%, ante 49,53% do presidente.
O levantamento foi realizado de terça-feira (20) a quinta-feira (22) e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os votos válidos excluem brancos e nulos e são a base utilizada pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado final.
O mercado também acompanha os dados de inflação. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou para 0,32% em outubro, ante 0,70% em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,45%, segundo a Bloomberg, e também do piso das estimativas, de 0,33%.
Na véspera (21), a moeda norte-americana avançou 0,23%, a R$ 5,038, enquanto a Bolsa fechou em forte queda de 1,15%, a 204.120 pontos.
Durante o pregão, investidores estiveram mais cautelosos diante de um cenário de disputa tecnicamente empatada. A alta do petróleo também preocupou os analistas, pelo risco de pressão inflacionária e seus possíveis efeitos sobre a curva de juros. O movimento repercutiu nos mercados globais.
Os movimentos nos cenários doméstico e externo também repercutiram nos juros futuros. A taxa DI para janeiro de 2028 subiu para 12,900%, alta de 13 pontos-base, enquanto a taxa para janeiro de 2030 avançou 11 pontos-base, para 12,695%.
As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.
No cenário doméstico, a disputa pela Presidência se manteve no radar dos investidores. As pesquisas têm apontado uma diminuição numérica entre as candidaturas. Na quarta-feira (21), a pesquisa Quaest mostrou o senador com 45% das intenções de voto, ante 44% do presidente.
Na semana passada, Flávio tinha 46%, e Lula, 44%. O último levantamento antes do segundo turno será publicado no sábado (24).
Nesta quinta-feira (22), a pesquisa PoderData/Aya também apontou uma redução da diferença entre os candidatos. O senador do PL tem 51% dos votos válidos, ante 49% do petista. Na pesquisa anterior, divulgada na segunda-feira (19), os índices eram de 52% e 48%, respectivamente.
"O mercado registra uma realização de ganhos, em linha com o exterior e com a cautela em relação às pesquisas eleitorais, que ainda mostram Flávio Bolsonaro à frente, mas com uma vantagem menor. Esse acirramento da disputa deixa os investidores mais cautelosos", afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
A candidatura de Flávio é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, um dos fatores apontados para a valorização recente da Bolsa e do real.
A expectativa de maior controle da dívida pública tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, aliviando a curva de juros futuros. Taxas menores, por sua vez, podem reduzir o custo do crédito para as empresas e melhorar as perspectivas de lucro, favorecendo o mercado acionário.
No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte à votação.
Os últimos pregões, contudo, mostram uma reversão desse otimismo. Apesar de Flávio ainda aparecer numericamente à frente, a redução da diferença para Lula tem levado investidores a reavaliar o cenário eleitoral. "A proximidade do segundo turno e a expectativa por novas pesquisas eleitorais reforçam a cautela", afirma Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos.
Para Mendes, o desempenho do mercado brasileiro também reflete riscos internacionais. "Nos EUA, há maior pressão sobre as empresas de tecnologia, diante dos questionamentos sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial. Em paralelo, a alta do petróleo reacende preocupações inflacionárias e pode dificultar o processo de flexibilização monetária americana."
Juros mais altos nos EUA tendem a penalizar ativos de mercados emergentes. Quanto maior a taxa americana, atualmente entre 3,75% e 4% ao ano, menor tende a ser a atratividade do diferencial de juros em relação ao Brasil, onde a taxa está em 13,75% ao ano, o que pode reduzir o interesse dos investidores pelos ativos domésticos.
Durante o pregão desta quinta-feira, o petróleo voltou a se destacar ao atingir o maior patamar desde maio. Por volta das 17h, o Brent avançava 3,95%, a US$ 112,92. Na máxima do dia, a cotação chegou a US$ 113,50, o maior valor em cinco meses.
A alta foi impulsionada por ataques ao aeroporto de Dammam, no leste da Arábia Saudita, que deixaram dois mortos e oito feridos, segundo autoridades do país. A esse episódio se soma uma orientação da petrolífera estatal saudita Aramco para que seus funcionários deixem a sede da empresa, em Dhahran. A informação foi obtida pela Reuters.
Um porta-voz militar houthi também afirmou que o grupo havia lançado ataques contra instalações da Aramco em Yanbu, no Mar Vermelho, e contra o Ministério da Defesa saudita, em Riad. As autoridades sauditas não confirmaram essas ofensivas.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a movimentação reforça as expectativas de uma possível escalada das tensões entre Irã, Estados Unidos e Arábia Saudita nas próximas semanas, o que impulsiona os preços. "As cotações reagem ao risco de danos à infraestrutura logística e produtiva de petróleo na região".
A guerra no Oriente Médio já provoca a interrupção parcial do fluxo da commodity pelo estreito de Hormuz. Antes do conflito, a passagem concentrava cerca de 20% do consumo mundial de petróleo.
Os novos episódios ampliam os temores de que o abastecimento regional sofra novas restrições. Esse cenário pressiona a inflação e preocupa os bancos centrais, que avaliam os efeitos da guerra sobre a política monetária.
Juros mais altos tendem a favorecer ativos de renda fixa, considerados mais seguros, e a reduzir a atratividade das ações. O impacto aparece no exterior, onde as Bolsas S&P 500 e Nasdaq recuaram 1,45% e 2,60%, respectivamente.
