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Sem nomear Lula, Trump diz ter boa relação com o Brasil e cita influência dos EUA em eleições na América Latina
Sem nomear Lula, Trump diz ter boa relação com o Brasil e cita influência dos EUA em eleições na América Latina
Fala inclui elogios a aliados eleitos na Colômbia e Argentina
Por Isabella Menon/Folhapress
02/09/2026 às 17:45
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente os EUA, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (2) que mantém uma "boa relação" com o Brasil, sem citar nominalmente o presidente Lula (PT), e disse ter ajudado a eleger líderes na América Latina ao comentar o avanço da direita na região.
"Eles passaram da esquerda para a direita. Estão todos indo para a direita. Temos uma boa relação com o Brasil, uma boa relação, na verdade, com praticamente todos eles agora", disse Trump. "Eles têm muito respeito pelo nosso país. Dois anos atrás, eles não respeitavam nosso país de jeito nenhum".
A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a presença militar americana na América do Sul. Trump desviou do tema e passou a falar sobre a relação dos EUA com governos da região e sobre candidatos que apoiou em eleições latino-americanas.
A fala de Trump ocorre após meses de tensão entre Brasil e EUA, com a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros e a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington.
Nas últimas semanas, porém, houve sinais de distensão, com um telefonema entre Lula e Trump que abriu caminho para a retomada das negociações comerciais e encontros do republicano com empresários brasileiros, entre eles André Esteves, do BTG/Pactual, e Joesley Batista, da JBS.
Nesta quarta, o presidente americano citou ainda a Colômbia e afirmou ter endossado o atual presidente do país. Segundo Trump, o candidato não era considerado favorito na disputa, mas acabou eleito e, em sua avaliação, "está fazendo um ótimo trabalho".
"Eu apoiei um sujeito. Gosto do nome dele, ‘El Tigre’", disse o republicano em referência ao presidente Abelardo de la Espriella. "Acho que isso significa que ele é um cara durão. Mas agora ele é o presidente da Colômbia. Não se esperava que ele vencesse. Não era o favorito, mas acabou vencendo. E está fazendo um ótimo trabalho."
Trump também mencionou a Argentina e afirmou ter contribuído para a eleição de Javier Milei. "Temos várias pessoas, Argentina, muitas pessoas que eu ajudei a eleger", disse.
Na sequência, o republicano afirmou que a América Latina passa por uma mudança política em direção à direita. "Essa parte do nosso hemisfério está realmente se tornando muito diferente do que era. Eles passaram da esquerda para a direita. Estão todos indo para a direita", afirmou.
Trump não mencionou Lula nem detalhou a que aspecto da relação bilateral se referia ao dizer que mantém uma boa relação com o Brasil.
"Estamos indo muito bem na América do Sul, na América Latina. Estamos indo muito bem", disse. "Toda essa região está se abrindo. Há uma grande cooperação entre o nosso país e toda a América do Sul."
Nos últimos meses, Trump descartou qualquer discrição a respeito de suas preferências eleitorais para a América Latina e viu diversos aliados chegarem ao poder na região. Ainda não está claro, porém, qual foi o peso de seu apoio para os resultados.
O primeiro exemplo ocorreu nas eleições de Honduras de novembro passado, quando o conservador Nasry Asfura venceu o segundo colocado do pleito por menos de um ponto percentual.
A campanha do republicano pelo aliado na América Central envolveu não apenas o respaldo público, mas também a concessão de um indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, aliado de Asfura que tinha sido condenado a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína para os EUA.
Quatro dias antes da votação, que parecia apertada em pesquisas de opinião, Trump afirmou que a governista Rixi Moncada era comunista e o centrista Salvador Nasralla era "quase comunista". Dois dias depois, voltou a se manifestar, condicionando a vitória de Asfura à ajuda ao país —uma ameaça significativa, levando em conta a dependência da nação centro-americana dos EUA.
O segundo caso foi a eleição da Colômbia.
Dias após o primeiro turno, o republicano declarou seu "apoio total e irrestrito" a Espriella, qualificando-o como um líder "inteligente, forte e determinado". Após a eleição do aliado, Trump reivindicou sua vitória afirmando, erroneamente, que havia declarado apoio quando o então candidato "não tinha a menor chance de ganhar". "Eu o apoiei, e ele ganhou", afirmou.
No caso de Honduras, Asfura aparecia em segundo lugar em praticamente todas as pesquisas de opinião, o que poderia ser uma pista de que o endosso de Trump teria ajudado sua eleição. Na Colômbia, porém, é mais difícil fazer essa associação.
Ao contrário do que disse Trump, Espriella contou com o apoio do republicano somente no segundo turno —e, àquela altura, o ultradireitista aparecia mais de sete pontos percentuais à frente do candidato governista, Iván Cepeda. Surpreendentemente, ele venceu por menos de um ponto percentual, a margem mais estreita da história eleitoral da Colômbia.
Além das eleições presidenciais, houve ainda o pleito legislativo da Argentina, em outubro do ano passado, quando um resgate financeiro dos EUA evitou uma crise cambial às vésperas da votação. Contrariando as expectativas, o partido de Milei saiu vitorioso.
A despeito da efetividade ou não do apoio de Trump, os resultados parecem ter animado o americano a seguir endossando aliados na região, que tenta resgatar como sua principal zona de influência. As eleições de outubro, no Brasil, serão o próximo teste —e por isso vêm sendo vistas como as mais importantes do ano para a América Latina.
Também nesta quarta, Trump disse que não pretende se encontrar com Vladimir Putin antes que o russo esteja pronto para fazer um acordo de paz com a Ucrânia.
Na véspera, o Kremlin havia dito que estava sendo negociada pelos chineses uma cúpula tripartite entre Putin, Trump e Xi Jinping, a ser realizada no encontro da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) em novembro na China. Seria a primeira reunião do tipo entre os líderes.
Desde que voltou à Casa Branca, Trump recebeu Putin uma vez nos EUA e teve dois encontros com Xi. Em 24 de setembro, o chinês fará uma visita de Estado a Washington.
