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Pelo 2º ano seguido, Brasil deixa plenária da Assembleia da ONU durante discurso de Netanyahu
Pelo 2º ano seguido, Brasil deixa plenária da Assembleia da ONU durante discurso de Netanyahu
Premiê de Israel é vaiado e diversas outras delegações também deixam o espaço antes de sua fala
Por Mayara Paixão/Folhapress
24/09/2026 às 17:45
Foto: Reprodução/Instagram
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
A delegação do Brasil abandonou o plenário da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, na tarde desta quinta-feira (24). O mesmo havia sido feito na edição do evento no ano passado.
O israelense foi vaiado por muitos dos presentes, e a debandada do espaço foi massiva, feita também por diversas outras delegações. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, teve de pedir mais de uma vez ordem no espaço. E Netanyahu disse que "se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar".
Durante seu discurso nas Nações Unidas na terça-feira (22), quando abriu os debates, o presidente Lula (PT) mencionou nominalmente Bibi, como o israelense é conhecido, e o acusou de praticar genocídio em Gaza.
"Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza", disse o petista, que retornou ao Brasil naquele dia.
A delegação do Brasil no momento do discurso de Netanyahu era composta por funcionários da missão do Brasil na ONU; o chanceler Mauro Vieira, que segue em agenda em Nova York, não estava no momento. Ele participava, justamente, de um evento em apoio à agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA.
O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, também não estava presente pois participava do mesmo evento que Vieira, que fora organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. O português, que está prestes a deixar o cargo, já chegou a ser declarado persona non grata por Israel, devido a suas críticas à guerra em Gaza. Lula também recebeu a mesma designação pelo governo de Bibi.
Durante sua participação no evento, Vieira criticou as ações de Tel Aviv. Disse que 'há quase três anos, Israel vem conduzindo uma campanha orquestrada contra as operações, instalações e funcionários da UNRWA por meio de ataques militares ilegais, legislação ilícita, desinformação, difamação e perseguição jurídica".
Referia-se, especificamente, ao fato de as autoridades israelenses terem demolido a sede principal da agência para refugiados palestinos em Jerusalém Oriental em janeiro passado e, mais recentemente, em agosto, terem invadido e confiscado o maior centro de formação profissional da organização, em Qalandiya, na Cisjordânia.
Há um mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra Bibi por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Como não são signatários do Estatuto de Roma, base jurídica do TPI, os EUA não se veem obrigados a cumprir a ordem em sua jurisdição, de modo que uma viagem de Netanyahu ao país ocorre sem problemas.
O prefeito de Nova York, o muçulmano Zohran Mamdani, chegou a dizer, há alguns meses, que mandaria prender Bibi caso ele pisasse em Nova York. Depois voltou atrás, reconhecendo que não tem autoridade para isso. Protestos foram realizados em Nova York, uma cidade com alta concentração de judeus, contra a presença de Bibi na ONU.
Coincidentemente, Bibi discursou na ONU no mesmo dia do discurso do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Funcionários da própria organização estavam tensos com o fato, prevendo confusões. Abbas participou por videochamada, dado que Washington negou lhe conceder um visto para que viajasse a Nova York.
