Governo Lula reduz projeção de crescimento do PIB de 2,3% para 2% em 2026
Fazenda também reduz expectativa de inflação, de 5,1% em julho para 4,9% no boletim macrofiscal mais recente
Por Marcos Hermanson/Folhapress
22/09/2026 às 18:30
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
Ministério da Fazenda
O Ministério da Fazenda reduziu em 0,3 ponto percentual a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2026, de 2,3% (projeção de julho) para 2%, segundo a versão mais recente do Boletim Macrofiscal.
A redução na projeção de crescimento geral é atribuída à desaceleração do setor de serviços e da indústria, em movimento parcialmente compensado pela agropecuária. "Nos serviços, a revisão decorre do carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre e da transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica", escreveu a pasta.
Já em relação à inflação, a Fazenda reduziu a projeção de 5,1% este ano para 4,9%. A revisão para baixo é fruto do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) abaixo do esperado em julho, especialmente na alimentação doméstica e no setor de serviços.
Também pesaram na revisão, segundo a Fazenda, a política monetária contracionista capitaneada pelo Banco Central e a esperada desaceleração da atividade econômica no segundo semestre.
A Fazenda também revisou para baixo as expectativas de crescimento do PIB em 2027, de 2,5% para 2,3%, e revisou para cima as expectativas de inflação, de 3,6% para 3,8%, como reflexo dos efeitos do fenômeno climático El Niño, que pode interferir na colheita, além de outros fatores.
As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira (22) no Boletim Macrofiscal, da SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda.
A receita total cresceu 5,7% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram R$ 99,6 bilhões a mais, em um crescimento motivado, segundo a Fazenda, pelo aumento no preço internacional do petróleo, pela atividade econômica interna e pelos rendimentos financeiros.
Nas receitas não administradas, o ganho com o petróleo foi parcialmente absorvido pela queda dos dividendos pagos por estatais e bancos públicos, que caiu 58%, em R$ 14,5 bilhões.
Ao mesmo tempo, a despesa total cresceu 6,2% em termos reais, em ritmo levemente superior ao da receita. Pesaram as despesas obrigatórias e um crescimento maior das despesas discricionárias, especialmente saúde e educação.
A secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, enfatizou que há um cenário de "choque persistente" nos preços do petróleo em virtude do prolongamento da guerra no Irã.
"Cenário ainda é muito incerto, de monitoramento das decisões e do que vai acontecer", disse, frisando que o preço do barril Brent está na casa dos US$ 100 (R$ 511).
No cenário doméstico, ela afirmou que os dados sugerem continuidade da desaceleração da atividade econômica no segundo trimestre, movimento compatível com a política monetária restritiva (juros altos). Para Freire, o mercado de trabalho continua sustentando a demanda doméstica.
