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Gilmar reabriu caso arquivado no STF há dois anos para validar reajuste ao Bolsa Família
Gilmar reabriu caso arquivado no STF há dois anos para validar reajuste ao Bolsa Família
Por Vinicius Sassine, Folhapress
20/09/2026 às 07:39
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência/Arquivo
Presidente Lula (PT) anuncia, no Palácio do Planalto e ao lado de ministros, reajustes nos valores do Bolsa Família
A validação do reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo presidente Lula (PT) na última quinta-feira (17), contou com um pedido prévio da Defensoria Pública da União, com o direcionamento do caso ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e com o desarquivamento de um processo que estava encerrado havia dois anos na corte.
O anúncio do reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família, para corrigir a inflação acumulada desde a reformulação do programa, em março de 2023, foi feito por Lula no Palácio do Planalto.
O petista tenta a reeleição, e o anúncio da medida se deu a 17 dias do primeiro turno da disputa eleitoral. No dia seguinte, sexta (18), Gilmar considerou legal o aumento e não viu afronta a regras eleitorais.
O novo valor começa a ser pago em 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno, que será realizado no dia 25. O mais provável é que Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se enfrentem no segundo turno, como indicam as pesquisas de intenção de voto.
No dia anterior ao anúncio da medida, a Defensoria Pública da União pediu manifestação sobre a necessidade de atualização dos valores do Bolsa Família, defasados pela inflação acumulada nos últimos quatro anos.
A Defensoria atuou em um procedimento que tramitou no gabinete de Gilmar, referente à obrigação de renda mínima básica, com decisões do ministro em 2021, 2022 e 2024.
O presidente do STF, Edson Fachin, remeteu o caso ao gabinete do Gilmar, por ter sido ele o relator do caso relacionado ao Bolsa Família.
O andamento do processo mostra que o caso transitou em julgado –sem possibilidade de recursos– em março de 2023. Foi arquivado no mesmo mês, reaberto em razão de nova petição em novembro do mesmo ano e outra vez arquivado em 30 de agosto de 2024.
Com a nova petição da Defensoria, Gilmar voltou a deliberar no caso. Ele decidiu em cima de uma manifestação da AGU (Advocacia-Geral da União), que tratou da petição da Defensoria.
Nessa ocasião, a AGU informou a existência do decreto de Lula, do último dia 17, que reajustou o Bolsa Família.
Ao validar o reajuste, Gilmar afirmou que o plenário do STF já havia reconhecido a existência de insuficiência na concretização de política pública voltada ao combate à pobreza extrema, com concessão parcial de ordem para que a Presidência da República implantasse um programa de renda básica –papel exercido pelo Bolsa Família.
"A providência adotada [o decreto de Lula que reajusta os valores do programa] corresponde à atualização periódica dos valores previstos no marco legal que disciplina a política pública", afirmou o ministro, que não viu violação legal por parte do presidente.
A medida também não afronta restrições eleitorais previstas em lei, segundo a decisão do ministro do STF. Medidas de aperfeiçoamento serão discutidas em uma mesa de diálogo com AGU e DPU, conforme a determinação de Gilmar.
O reajuste do Bolsa Família, para repor a inflação, custará R$ 5,8 bilhões a mais neste ano e R$ 22,7 bilhões anuais em 2027 e 2028. A proposta de Orçamento deste ano reservava inicialmente R$ 158,6 bilhões para o pagamento dos benefícios, valor que caiu a R$ 156,6 bilhões na versão aprovada pelo Congresso.
Desde a reformulação do programa social, em março de 2023, Lula ainda não havia feito reajustes nos valores do Bolsa Família.
Questionamentos sobre a medida foram apresentados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo candidato à presidência da República Renan Santos (Missão) e estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF e do TSE. O governo Lula temia que o decreto fosse derrubado.
O Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) também pediu que o reajuste seja suspenso.
