/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Flávio esbarra em polêmicas de Bolsonaro e ignora 'Dark Horse' ao explorar crise no STF

Flávio esbarra em polêmicas de Bolsonaro e ignora 'Dark Horse' ao explorar crise no STF

Por Carolina Linhares/Folhapress

22/09/2026 às 06:36

Foto: Charles Vieira/Arquivo/Divulgação

Imagem de Flávio esbarra em polêmicas de Bolsonaro e ignora 'Dark Horse' ao explorar crise no STF

Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, tem ignorado sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e uma série de polêmicas que marcaram o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao explorar a crise sem precedentes do STF (Supremo Tribunal Federal).

O embate entre os ministros, motivado pela revelação das mensagens entre Alexandre de Moraes e Vorcaro, eclodiu a pouco mais de um mês do primeiro turno da eleição e levou Flávio a seu melhor momento da campanha, em empate com Lula (PT).

Na tentativa de conquistar votos de eleitores indecisos de centro, Flávio tem defendido em discursos a democracia, a instituição do Supremo e a independência da Polícia Federal —aspectos que estiveram em xeque durante o governo Bolsonaro, de 2019 a 2022.

Além disso, o candidato critica o escândalo das benesses de Vorcaro recebidas por ministros do STF sem levar em conta que também usufruiu de recursos do ex-banqueiro para bancar o filme "Dark Horse", sobre a vida de Bolsonaro.

Nas últimas semanas, Flávio subiu o tom do questionamento a ministros como Moraes e Flávio Dino, além de associá-los a Lula para usufruir de votos de protesto da população em relação ao STF. O senador, por exemplo, usou sua live semanal de quinta-feira (17) para repreender a indefinição do Supremo a respeito de investigar Moraes e mencionou o contrato de R$ 130 milhões da advogada Viviane Barci, mulher do ministro, para a defesa de Vorcaro.

As suspeitas de corrupção envolvendo Vorcaro e ministros do STF se tornaram o tema principal de Flávio em comícios, entrevistas e até propagandas.

Mas mensagens entre o dono do Master e o senador também demonstram uma relação próxima —Flávio o chamou de irmão e disse não haver "meia conversa" entre eles. Além disso, o candidato afirmou que visitou Vorcaro em dezembro, após sua primeira prisão e quando os esquemas de fraude financeira eram conhecidos.

Aliados e auxiliares de Flávio, porém, dizem que não há equivalência e que o senador pode falar das suspeitas envolvendo Vorcaro sem constrangimentos. Eles afirmam que o candidato já se explicou, que o caso está superado e que a diferença está no fato de Flávio não ter pedido vantagens para si, como Moraes, mas para o filme —ou seja, seria apenas um negócio privado.

O ex-banqueiro teria prometido cerca de R$ 130 milhões para o "Dark Horse", sendo que aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido pagos. Flávio é formalmente investigado no inquérito do STF que apura se houve lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento para a produção do filme.

Em outra frente, desde o acirramento do conflito no STF, Flávio enfatiza um discurso de risco de ditadura, que ele atribui ao Supremo e ao governo Lula.

"Deram superpoderes a um ministro específico do STF, que é o Alexandre de Moraes, porque era para tirar o Bolsonaro, mas com o pretexto de salvar a democracia", disse Flávio em um comício em Boa Vista (RR), no último dia 11. "Hoje o último obstáculo para que o Brasil não vire uma ditadura de vez chama-se Flávio Bolsonaro. É o Flávio Bolsonaro que vai resgatar a democracia."

Já no ato bolsonarista do 7 de Setembro, em São Paulo, Flávio afirmou que vai acabar com a ditadura de Moraes e que Lula e o ministro formam um consórcio.

A estratégia repete a retórica de Bolsonaro, que também atribuía à esquerda uma tentativa de implementar a ditadura. Ao tratar desse tema, no entanto, o senador passa por cima da condenação do pai justamente por tentativa de golpe de Estado e das ameaças do bolsonarismo à democracia.

Em setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. O STF considerou que ele liderou uma trama para permanecer no poder, o que incluiu pressão sobre comandantes militares para a adoção de medidas de exceção que evitassem a posse de Lula em 2023.

Como mostrou a Folha, o candidato do PL também passou a individualizar seus ataques em Moraes e Dino enquanto defendia proteger o STF e resgatar a credibilidade da instituição. Mais uma vez, porém, o discurso destoa das declarações passadas da família Bolsonaro.

Em entrevista à Folha em 2025, antes de ser escolhido candidato, Flávio afirmou que, para receber o apoio da família, o candidato à Presidência deve não só conceder indulto ao seu pai, mas brigar com o Supremo por isso e usar a força, se for preciso.

Em 2018, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) disse que bastava "um soldado e um cabo" para fechar o STF. Já o ex-presidente cogitou aumentar o número de ministros como um recado ao Supremo.

Nesse ponto, o entorno de Flávio diz que ele tem compromisso com a independência dos três Poderes, mas reforça a posição da família de que o julgamento de Bolsonaro por golpismo foi uma farsa orquestrada por Moraes. O candidato considera que a tentativa de golpe não existiu.

Outra contradição no discurso de Flávio diz respeito à Polícia Federal, órgão que ele acusa de agir como uma polícia do Lula que persegue adversários do petista. O candidato chegou a recusar a escolta que a corporação deve oferecer aos candidatos à Presidência, preferindo seguir com a proteção já realizada pela Polícia Legislativa do Senado.

A PF também faz parte da crise do STF. Quando o ministro André Mendonça decidiu retirar do posto o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Flávio disse que "o grupo especial de Lula" na polícia havia sido "desmascarado oficialmente".

Ele também chamou Andrei de "companheiro, camarada, amigo, irmão, brother, cupincha, parça, aliado e pau-mandado" do presidente petista.

A acusação de interferência política na PF também não é uma novidade em relação ao governo Bolsonaro. Em 2020, o então presidente afirmou, durante uma reunião ministerial, que iria interferir na corporação e não iria esperar prejudicar alguém de sua família ou amigo dele para poder tomar providências.

Dois dias depois da reunião, o ex-presidente exonerou o diretor-geral da PF, o que resultou na saída de Sergio Moro do governo, acusando Bolsonaro de interferência. O ex-juiz criticou a insistência do ex-presidente para a troca do comando da PF e afirmou que ele queria ter acesso a informações e relatórios confidenciais do órgão.

Flávio endossou a decisão de Mendonça de afastar Andrei ao mesmo tempo em que critica o ocorrido com Alexandre Ramagem no governo Bolsonaro. Ramagem havia sido indicado chefe da PF pelo então presidente, mas teve a nomeação suspensa por Moraes sob o argumento de uso indevido da corporação.

Para aliados do senador, são situações diferentes. Eles afirmam que Andrei age politicamente, enquanto Moraes invadiu a prerrogativa de Bolsonaro de escolher o chefe da PF. Em relação a Moro, o argumento é de que o ex-presidente tampouco poderia abrir mão de sua prerrogativa em prol de uma indicação do ex-ministro.

 

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.