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Flávio Bolsonaro explora crise no STF e se desvia de propostas econômicas

Flávio Bolsonaro explora crise no STF e se desvia de propostas econômicas

Por Luany Galdeano e Thaísa Oliveira/Folhapress

25/09/2026 às 07:23

Foto: Charles Vieira/Arquivo/Divulgação

Imagem de Flávio Bolsonaro explora crise no STF e se desvia de propostas econômicas

Flávio Bolsonaro

A equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiu segurar o detalhamento de propostas econômicas e aproveitar politicamente a crise no STF (Supremo Tribunal Federal), evitando eventuais desgastes junto ao eleitorado, de acordo com integrantes da campanha do candidato à Presidência.

Segundo o coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), Flávio já tem o nome de um grupo que continuará com ele em caso de vitória, mas diz que é preciso "avaliar se é necessário que haja alguma antecipação" de nomes que integrariam a equipe econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro.

Em entrevistas e aparições públicas nas últimas semanas, Daniella Marques (PL), coordenadora-geral do plano de governo, e outros integrantes da extensa equipe econômica do candidato defendem um ajuste fiscal de 1,5% do PIB e a criação de um novo teto de gastos com base na relação dívida/PIB. No entanto, não explicam como se chegaria a esse resultado, nem como o limite para a despesa funcionaria.

A menos de dez dias do primeiro turno das eleições, poucas propostas de Flávio foram detalhadas, apesar do anúncio de diretrizes gerais, como a criação de uma nova regra fiscal e de um "tesouraço" em despesas e impostos.

"Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso, é o que vai sair de lá e que vai definir. Eu não sou a Mãe Dináh", disse Daniella, que presidiu a Caixa no governo Jair Bolsonaro (PL), em entrevista ao programa C-Level, da Folha. "Não falaremos. A gente vai para o chão do Congresso trazer todo mundo para a mesa para cortar na carne, fazer autocontenção. Depois a gente vai discutir o que sobra."

Integrantes da campanha afirmam, reservadamente, que o noticiário dominado pelo escândalo do Banco Master e pela crise sem precedentes no STF proporcionou uma maré boa para Flávio e para os candidatos dele ao Senado.

Por isso, o foco nesse momento deve ser tentar transferir a rejeição do ministro Alexandre de Moraes ao presidente Lula (PT) e argumentar ao eleitor que Flávio é o único candidato capaz de sanear o Supremo e resgatar a confiança nas instituições.

Rogério Marinho afirma que "medidas específicas realmente devem vir só após as eleições". O senador nega estar pedindo um cheque em branco ao eleitor. Marinho afirma que Flávio está comprometido com o controle do orçamento público e que é preciso considerar o que foi feito no governo do pai dele.

"Nós temos um histórico, nós não chegamos agora. Quando você me pergunta sobre a questão fiscal, eu digo: olhe os quatro anos de governo Bolsonaro. Nós não somos uma quimera, não somos aventureiros. O gabarito de conta pública em qualquer lugar do mundo é o comportamento da dívida em relação ao PIB. Nós recebemos com 75% e entregamos com 71%", diz.

"Nós não estamos propondo uma coisa que seja inalcançável, inatingível ou que nós não fizemos. Nosso orçamento vai estar equilibrado. O mercado já entendeu isso", completa o senador.

O núcleo de economia está sob a chefia do ex-ministro de Minas e Energia de Jair Bolsonaro (PL) Adolfo Sachsida. Parte da equipe se divide para representar o candidato em encontros com empresários e entidades do setor produtivo. O núcleo também mantém reuniões semanais para debater o plano de governo, de acordo com membros consultados pela reportagem.

O grupo conta com pelo menos outros 12 integrantes, incluindo o ex-diretor do Itaú BBA Luiz Felipe Trevisan e o economista Alexandre Messa, que ocupou cargos de chefia no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e no antigo superministério da Economia de Paulo Guedes. A campanha já ventila até possíveis nomes para a Fazenda, como o ex-banqueiro Marcelo Kayath.

No início do ano, o detalhamento de medidas fiscais trouxe prejuízos à campanha de Flávio. Em abril, a Folha mostrou que o candidato considerava propostas de desvinculação de despesas com saúde do mínimo constitucional de 15% da receita corrente líquida (RCL) e o mesmo na educação, em relação aos atuais 18% da receita líquida de impostos (RLI).

Além disso, a equipe também estaria estudando desvincular a política de valorização do salário mínimo dos benefícios da Previdência. Com isso, aposentados e pensionistas teriam salário mensal reajustado apenas pela inflação, sem ganho real.

Diante da repercussão negativa, o candidato veio a público para negar que essas mudanças estivessem sendo avaliadas pela campanha. Mas, em entrevistas, Daniella não descartou adotá-las.

A coordenadora do plano também foi alvo de críticas de opositores após afirmar que o presidente da Argentina, Javier Milei, era um "ótimo exemplo" a ser seguido pelo Brasil. A declaração virou arma na mão de petistas, que usaram o conteúdo para criticar Daniella e Flávio nas redes sociais.

O senador já comentou, em falas públicas, ser favorável à privatização de empresas estatais, mas evita nomear quais passariam por esse processo. Os Correios, por exemplo, que enfrentam uma grave crise financeira, não estariam nesse plano, de acordo com Daniella.

Questionada pela reportagem nesta quarta-feira (16), a campanha de Flávio afirmou que ele apresentou diretrizes para enfrentar o "caótico cenário" econômico provocado pela "gastança do governo petista" em seu plano de governo e que o "detalhamento de todas as ações será apresentado durante a transição".

A campanha também disse que ele "responde livremente todos os questionamentos" em suas agendas de campanha, diferentemente de Lula, que tem "medo das perguntas sobre as denúncias de corrupção" contra o filho e seu ex-chefe de gabinete.

"A crise do Supremo Tribunal Federal é assunto recorrente na imprensa nacional e internacional, como também é um momento triste para a democracia e para todos os brasileiros por investigar os escândalos cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes e sua relação de dependência com Lula para manutenção do poder a qualquer custo", disse.

"Flávio Bolsonaro destaca os efeitos da gastança do governo petista com o aumento de impostos, inflação alta e alimentos mais caros para as famílias brasileiras. Simultaneamente, apresenta [...] medidas para reorganizar a economia, reduzir o peso do Estado e melhorar a vida da população. O detalhamento de todas as ações será apresentado durante a transição, com a formação das equipes técnicas altamente capacitadas."

Nos últimos dias, a campanha de Lula passou a explorar a viabilidade de medidas anunciadas por Flávio, como o barateamento do preço dos alimentos. A campanha petista levou à propaganda eleitoral de rádio e TV o slogan "Falar é Flávio, fazer é Lula".

Em um vídeo divulgado pelas redes sociais, a campanha diz ainda que o plano de governo de Flávio tem 21 mil palavras, mas nenhuma delas sobre salário mínimo, Pé-de-Meia ou Minha Casa Minha Vida, por exemplo.

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