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Tribunal de Justiça da Bahia vai abrir processo contra juiz acusado de racismo religioso
Tribunal de Justiça da Bahia vai abrir processo contra juiz acusado de racismo religioso
Cesar Andrade teria determinado retirada de foto ligada ao candomblé de exposição em fórum
Por Redação
27/08/2026 às 18:40
Foto: Divulgação/Arquivo
Tribunal de Justiça da Bahia
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) julga nesta sexta-feira (28) o caso de um juiz acusado de racismo religioso. O tribunal vai converter a sindicância aberta em Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
A expectativa é que, após a decisão, o magistrado seja afastado temporariamente do cargo até que o PAD seja concluído.
O caso é de março deste ano, quando o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Camaçari, determinou a retirada de uma fotografia ligada ao candomblé de uma exposição instalada no Fórum de Camaçari.
A imagem retratava a chefe de cozinha Solange Borges, que desempenha o papel de Makota no Candomblé. Solange vestia trajes da religião de matriz africana.
Na época, o juiz pediu que o fórum retirasse o quadro sob o argumento de "incompatibilidade com a laicidade estatal". Outra foto, no entanto, em que uma mulher aparecia segurando uma imagem de Santo Antônio, foi mantida na exposição.
A apuração contra o magistrado deriva de um pedido feito pelo Idafro (Instituto de Defesa dos Direitos da Religiões Afrobrasileiras) ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
A entidade classificou a conduta do juiz como "discriminatória, preconceituosa, intolerante, degradante e vexatória".
Agora, o PAD vai apurar se houve racismo religioso institucional, quebra dos deveres de imparcialidade, desrespeito ao dever da igualdade e conduta incompatível com o cargo.
Entre as punições previstas estão advertência, suspensão e até a perda do cargo público. Se a pena mais grave for aplicada, será o primeiro caso de juiz punido pela prática de racismo.
Em manifestação à corregedoria do TJBA, o juiz afirmou que não determinou a retirada da fotografia da líder religiosa exposta no fórum.
Segundo ele, o ofício encaminhado ao órgão corregedor pedia a análise da legalidade da exposição, por entender que a ocupação do espaço público deveria observar os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade. A retirada da imagem, afirmou, foi uma decisão administrativa do então diretor do fórum.
