Mendonça e Dino planejam manter investigações sobre Lulinha no STF
Por Luísa Martins, Constança Rezende e Ana Pompeu, Folhapress
20/08/2026 às 15:41
Foto: TV Justiça/Reprodução/Arquivo
Ministros Flávio Dino e André Mendonça (STF)
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), planeja manter sob sua relatoria o inquérito que apura se o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cometeu tráfico de influência no âmbito do governo federal.
O magistrado sinalizou a pessoas próximas que tende a indeferir o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para que o caso seja enviado para a primeira instância.
Com isso, a expectativa é de que o ministro Flávio Dino, relator da outra investigação aberta na corte contra Lulinha, também mantenha o processo no Supremo.
Interlocutores de Mendonça afirmaram que o requerimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, causa perplexidade —já que, em julho, a PGR se manifestou favoravelmente ao livre sorteio da relatoria no próprio STF.
Auxiliares do ministro dizem desconfiar de uma tentativa de tirá-lo da condução das investigações, devido ao rigor que ele tem imprimido a casos como o do Banco Master e o das fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Para a PGR, por outro lado, o argumento é técnico: não havendo autoridades com foro especial explicitamente envolvidas nas suspeitas de tráfico de influência, não há justificativa para que o inquérito permaneça na corte.
Mendonça, ao contrário, tem dito a pessoas do seu entorno que ainda é cedo para essa conclusão, e que as conversas interceptadas pela Polícia Federal ainda podem indicar a participação de autoridades com foro.
Isso porque a investigação diz respeito a tratativas que Lulinha teria feito junto ao Ministério da Saúde para obter aval à comercialização de Cannabis medicinal no Brasil.
Além disso, segundo a PF, menções a pessoas com foro constariam em conversas que a empresária Roberta Luchsinger, próxima de Lulinha e de Antônio Camilo Antunes (o "Careca do INSS"), teve com interlocutores a respeito dessas negociações.
A suspeita, segundo a PF, é a de que o empresário tenha se utilizado da condição de filho do presidente Lula (PT) para tentar ter êxito no seu pleito.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e sugere haver interesse político por trás do inquérito. O presidente afirmou que seu filho não terá privilégios e precisará provar inocência.
A investigação que tramita sob a relatoria de Dino também apura negócios supostamente ilícitos entre Lulinha e o governo federal. Ainda não há detalhes sobre o teor específico dessa apuração.
O entorno de Dino avalia que, se Mendonça de fato negar o declínio dos seus processos à primeira instância, o magistrado vai atuar da mesma maneira, em nome da uniformidade de tratamento.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, vem condenando os vazamentos de informações sobre o inquérito, os quais considera seletivos, descontextualizados e criminosos.
"Estamos diante da triste e nefasta instrumentalização do sistema de justiça ou de parte dele, a serviço de interesses políticos e eleitorais", afirma o advogado.
Em seu perfil no Instagram, Roberta afirma que "criminalizar relações de amizade é algo que afronta os princípios elementares do Estado democrático de Direito".
"Ver meu nome e também pessoas queridas sendo atingidas por acusações, julgamentos e narrativas que desconsideram os fatos é extremamente doloroso", disse.
