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Em meio à crise do Master, Lula pede voto para Jaques Wagner e chama aliado de líder do governo

Em meio à crise do Master, Lula pede voto para Jaques Wagner e chama aliado de líder do governo

Presidente dividiu palanque na Bahia com petista que perdeu liderança há mais de um mês após ser alvo da PF

Por Alexandre Santos/Gabriel Araújo/Folhapress

01/08/2026 às 20:00

Foto: Reprodução/Flickr

Imagem de Em meio à crise do Master, Lula pede voto para Jaques Wagner e chama aliado de líder do governo

O presidente Lula e o senador Jaques Wagner em convenção petista no Parque de Exposições de Salvador

O presidente Lula (PT) dividiu palanque e pediu votos neste sábado (1º) para ele e candidatos de seu partido como o senador Jaques Wagner, que disputa a reeleição, durante a convenção que oficializou a chapa petista na Bahia para as eleições, em meio ao desgaste do aliado com as investigações relacionadas ao Banco Master.

Lula chegou a cometer um ato falho ao se referir a Wagner como líder de seu governo no Senado, mais de um mês após o petista deixar essa função por ter se tornado alvo da Polícia Federal. Ele nega ter cometido irregularidades.

Ao pedir votos para Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, e Wagner, ambos candidatos do PT ao Senado, Lula afirmou: "Eu preciso de dois votos, nesse galego [referência a Wagner] e nesse companheiro aqui [Rui]. O Senado está muito ruim, em um baixo nível muito grande".

Em seguida, completou, em referência aos dois aliados que já governaram a Bahia: "É preciso que a gente tenha gente com maturidade política, competência política, porque esse cara [Rui] foi um governador extraordinário, esse [Wagner] foi um governador extraordinário e meu ministro do Trabalho, Previdência [sic, ele não comandou esta pasta], e é líder do meu governo no Senado".

Pela legislação eleitoral, antes de 16 de agosto, é permitido solicitar apoio político e divulgar ações, mas sem pedido explícito de voto, o que pode configurar propaganda antecipada. Lula já foi condenado a pagar uma multa de R$ 15 mil por pedir votos para Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado em São Paulo, durante evento em maio.

Na véspera da convenção em São Paulo em que se lançará à reeleição, Lula fez um discurso de pouco mais de 30 minutos e não mencionou os novos desdobramentos da investigação da PF, que identificou ao menos 74 chamadas telefônicas entre Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, ao longo de um ano e meio.

Ele também não comentou a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), de autorizar a abertura de um segundo inquérito a pedido da PF para investigar o seu filho e empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência.

Wagner retribuiu o apoio, dizendo que a eleição de Lula nestas eleições é "fundamental" para um planeta em guerra, adotando um discurso em defesa da democracia e da soberania nacional.

O ato que oficializou a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) ao Governo da Bahia foi marcado por um atraso de quase duas horas e dificuldades do presidente para chegar ao Parque de Exposições Agropecuárias, local do ato partidário. A organização do evento disse à reportagem que o atraso ocorreu devido ao congestionamento na região.

Lula subiu no palanque por volta das 11h50, mas só discursou às 13h20. Enquanto o presidente não chegava, telões exibiam jingles que iam do pagodão baiano ao louvor "Tapete Vermelho", da cantora gospel Lina Luz. A letra diz não ser "só política, é sentimento" e que o petista "voltou das cinzas", uma referência ao período de sua prisão até retornar à Presidência da República.

O petista iniciou seu discurso agradecendo aos prefeitos e deputados presentes e destacou a importância da eleição de candidaturas progressistas para frear o avanço do conservadorismo no Congresso. Ao público ele pediu: "Me elejam a quarta vez para a gente fazer o país definitivamente dar certo".

Ao ignorar os temas que devem dar munição aos adversários e afetar sua avaliação, Lula dedicou sua fala para fazer a defesa de seus governos, exaltando principalmente os programas sociais. "Se pegar todos os presidentes e colocar naquelas panelas de acarajé e esquentar e colocar todos os programas sociais que eles fizeram, todos, não dá 20% dos programas sociais que fizemos nesse país".

Os demais candidatos presentes também evitaram citar a investigação em andamento, limitando-se a celebrar os feitos do PT no estado. Em seu discurso, Jerônimo agradeceu diretamente a Jaques Wagner pelo apoio na campanha eleitoral.

Documentos da PF indicam que as conversas entre o ex-líder do governo e Augusto Ferreira Lima ocorreram entre 17 de novembro de 2023 e 25 de maio de 2025. Ao todo, os diálogos somam cinco horas e 30 minutos de duração.

Além das ligações, o material analisado pelos investigadores aponta que o senador recebeu presentes, usou jatinhos e até articulou um encontro "discreto" em seu gabinete entre executivos do Master e o ministro Jorge Messias, da AGU (Advocacia-Geral da União).

Em nota, Messias disse que "não participou de reunião com Augusto Lima no gabinete do senador Jaques Wagner".

Em entrevista à Rádio Baiana FM, Wagner afirmou ter certeza de que provará sua inocência.

Esse foi o segundo ato público de Lula ao lado de Wagner desde que o aliado e amigo de mais de quatro décadas foi alvo da operação Compliance Zero por suspeita de ter recebido pagamentos do banco de Daniel Vorcaro, por meio de empresa de sua nora, e um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. Há um mês, o presidente cumpriu na Bahia uma maratona de inaugurações.

Na mais recente pesquisa Quaest, divulgada na terça (24), ACM Neto e Jerônimo lideram a preferência do eleitorado e aparecem tecnicamente empatados nas simulações de 1º e 2º turnos. O candidato do União Brasil soma 39% das intenções de voto, enquanto o atual governador marca 38%.

Em um eventual segundo turno, o empate técnico se mantém: ACM Neto alcança 43% da preferência eleitoral, ante 39% do petista. No fim de abril, levantamento da Quaest apontava 41% para o ex-prefeito soteropolitano e 38% para Jerônimo.

Para o Senado, Rui Costa mantém a dianteira, com 22%. Jaques Wagner figura em segundo, com 16%.

Comentários
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1 Comentário

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Saulo Caldas

02/08/2026

08:53

É MUITA HUMILHAÇÃO PARA OS BAIANOS, APROVEITANDO DOS MENOS ESCLARECIDOS, PEDIR VOTOS PARA UM CIDADÃO QUE SE ENCONTRA ENVOLVIDO EM UMA DAS MAIORES TRAGÉDIAS JÁ ACONTECIDA EM NOSSO ESTADO DA BAHIA, NAS GARRAS DA JUSTIÇA, É MUITA HUMILHAÇÃO PARA QUEM TEM VERGONHA E MUITA FÉ EM DEUS, UMA BARBARIDADE!
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