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Dólar sobe a R$ 5,16, e Bolsa cai mais de 2% com ata do Copom e cenário eleitoral

Dólar sobe a R$ 5,16, e Bolsa cai mais de 2% com ata do Copom e cenário eleitoral

Ibovespa fecha no menor nível desde janeiro, após documento do Banco Central reforçar necessidade de juros elevados

Por Matheus dos Santos/Folhapress

11/08/2026 às 19:30

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Dólar sobe a R$ 5,16, e Bolsa cai mais de 2% com ata do Copom e cenário eleitoral

Dólar fechou em alta de 1,02% nesta terça-feira (11)

O dólar fechou em alta de 1,02%, a R$ 5,164, nesta terça-feira (11), e a Bolsa encerrou o dia em seu menor nível desde janeiro com investidores repercutindo a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, e os dados de inflação de julho.

A ata reforçou a avaliação de que a inflação continua pressionada e que os juros precisam permanecer em nível elevado para desacelerar a economia. Já o IPCA de julho, embora tenha desacelerado para 0,07%, veio acima das expectativas.

A pesquisa eleitoral que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mais de 13 pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL) e a redução da recomendação do banco JPMorgan para ações brasileiras também pesaram sobre os ativos domésticos.

A Bolsa recuou 2,50%, aos 167.874 pontos, com grande parte das ações no território negativo. É o menor nível desde 20 de janeiro de 2026, quando o índice terminou o pregão aos 166.276 pontos.

No ano, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, acumula alta de 4,18%, mas o avanço já foi maior. Na máxima de 2026, quando chegou a 198.557 pontos, o índice acumulava alta de 23%.

O dólar, por sua vez, fechou no maior valor desde 3 de julho, quando encerrou o pregão a R$ 5,168. No ano, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 5,90%.

Durante o pregão desta terça-feira (11), os investidores repercutiram a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, divulgada pela manhã. O documento afirmou que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário exige a manutenção dos juros em nível suficientemente elevado para frear a atividade econômica.

"O comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", afirmou.

Para Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, a ata destacou o avanço dos riscos no combate à inflação. "[O documento] Manteve a assimetria altista no balanço de riscos e expandiu o trecho sobre a desancoragem de expectativas".

Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, também vê o comitê preocupado com as expectativas de inflação de longo prazo. "Os cortes, precificados em algumas casas, deixam de ser certo quando recebemos uma ata com um tom mais duro. E juros altos por mais tempo acabam sendo um veneno para a Bolsa".

Economistas consultados pelo Boletim Focus projetam a taxa de juros terminando 2026 a 13,75%, estimando assim um novo corte de 0,25 ponto percentual. As previsões para os próximos três anos são de 12% (2027), 10,5% (2028) e 10% (2029).

A divulgação do documento se somou a do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O indicador desacelerou a 0,07% em julho, após marcar 0,16% em junho, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa de 0,07% é a menor para meses de julho em quatro anos, desde 2022 (-0,68%). Com os dados de julho, o IPCA passou a acumular alta de 4,44% em 12 meses, após marcar 4,64% até junho. Assim, o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).

O IPCA, contudo, ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0%, segundo a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de -0,1% a 0,07%. A leitura dos analistas é de que, apesar da desaceleração, o cenário permanece desafiador.

O pregão também foi pressionado por pesquisa eleitoral da CNT/MDA, que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.

No primeiro turno da disputa, o petista soma 42,4%, enquanto Flávio soma 28,7% (13,7 pontos percentuais de diferença). Na pesquisa anterior, realizada em junho, Lula registrava 42%, enquanto Flávio somava 28%.

Para Guilherme Casa Grande Rodrigues, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, a pesquisa aumentou a incerteza sobre a política econômica e fiscal do próximo governo. "É esse prêmio de risco adicional que ajuda a explicar o motivo do real sofrer mais do que os pares. O movimento conversa diretamente com o alerta da ata do Copom de hoje".

Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, também vê impacto do cenário político. "A maioria dos operadores prefere uma alternância na Presidência, ou seja, prefere que haja uma troca de governo, na expectativa de que o próximo governo seja fiscalmente mais responsável".

A pressão eleitoral também foi mencionada pelo JPMorgan ao reduzir a recomendação para ativos brasileiros. Em relatório, a instituição indicou que a volatilidade no período eleitoral, a queda mais lenta dos juros e um processo de desinflação mais demorado devem pressionar o mercado acionário brasileiro durante o ano.

"Um importante fator para a queda do Ibovespa é o que o JPMorgan destaca como percepção de risco Brasil, com a possível estagnação do corte de juros após setembro e também efeitos das eleições em outubro deste ano", diz Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.

Com o cenário, os juros futuros subiram na sessão. A taxa do DI (Depósitos Interfinanceiros) para janeiro de 2027 subia 12 pontos-base, a 13,760%, ante 13,748% do ajuste anterior. A do DI de 2035 subia 19 pontos-base, a 14,525%.

As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

O aumento repercute o temor de uma inflação persistente entre analistas, que projetam o Copom mantendo os juros em patamares elevados por mais tempo ou com cortes mais espaçados.

O medo também fez preço na Bolsa. Conforme as taxas de juros se mantêm elevadas, investidores dão preferência a produtos de renda fixa, que acompanham a trajetória da Selic.

No exterior, persistiram as incertezas em torno da guerra no Oriente Médio. Na noite de segunda (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã é composto por "negociadores dissimulados".

Segundo o republicano, os EUA estariam considerando "apenas deixar rolar" a guerra para que Teerã entrasse em colapso econômico ou atingi-los "com muita, muita força".

Nesta terça, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que o estreito de Hormuz permanecerá fechado enquanto os Estados Unidos não mudarem de comportamento.

Antes do conflito, o estreito de Hormuz era responsável por cerca de 20% da circulação de petróleo e gás natural produzidos no mundo.

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