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Campanha de Lula investe no chapéu ‘pop’ e aposta em apelo emocional para desgastar Flávio na TV
Campanha de Lula investe no chapéu ‘pop’ e aposta em apelo emocional para desgastar Flávio na TV
Time do presidente vai apostar na polarização e na rejeição ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na propaganda eleitoral
Por Levy Teles/Estadão
20/08/2026 às 17:30
Atualizado em 20/08/2026 às 18:31
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inicialmente resistente à utilização do acessório, agora entende que o uso do chapéu é “pop” e será um elemento da identidade visual do presidente na disputa pelo Palácio do Planalto.
O item aparece na foto da urna do candidato à reeleição e é usado em figurinhas do presidente nas redes sociais. No programa de rádio e TV, a equipe pretende fazer brincadeiras com acessório.
Em uma das inserções já gravadas, Lula tira o chapéu e o arremessa. A ideia é criar um paralelismo visual do arremesso com as viagens que ele fará pelo Brasil durante os dois meses de campanha.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão está autorizada pela Justiça Eleitoral a partir do próximo dia 28, com divisão por dia dos cargos em disputa. No caso de presidente, a estreia será no sábado, 29.
Para além da descontração com o uso do chapéu, a equipe já planeja concentrar os ataques contra Flávio Bolsonaro (PL) nas inserções televisivas. O plano do time de Lula é defender o legado do petista à frente terceira gestão, com comparações com o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Se a estratégia não for exibida imediatamente no primeiro programa eleitoral, será no segundo dia, segundo pessoas que acompanharam as gravações. Os programas de presidente vão ao ar às terças e quintas-feiras e aos sábados.
É uma investida que terá apelo emocional e foco na polarização e na rejeição a Flávio Bolsonaro. De acordo com integrantes da equipe, a ideia é sugerir que valores do senador representam o oposto do que pensa a maior parte da população brasileira e traçar constantes paralelos entre os governos Lula e Bolsonaro.
A campanha pretende explorar, por exemplo, o resultado do Mapa da Fome, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O País tinha saído do mapa em 2014 e reapareceu nele em 2021, na gestão Bolsonaro. O Brasil voltou a ficar fora da lista em 2025.
Nessa defesa do legado, Lula falará, entre outras coisas, sobre o fim da chamada “taxa das blusinhas”, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6x1, que o governo pretende aprovar antes das eleições no Senado.
Mesmo com os desdobramentos dos inquéritos envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que vieram a público, a campanha também deverá abordar o pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Vorcaro está preso desde novembro de 2025.
Lulinha é alvo de inquéritos por tráfico de influência para obter vantagens no governo federal, ao lado da amiga Roberta Luchsinger. Ela trabalhava como lobista para Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela Polícia Federal sob a acusação de desviar recursos de aposentadorias.
As suspeitas já tiraram da campanha Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que recebeu pagamentos de Luchsinger. A soma totalizou R$ 249 mil e, desse total, cerca de R$ 9,2 mil foram para a compra de duas joias.
Para a campanha de Lula, ainda que o caso de Lulinha seja “dolorido”, como mostrou o Estadão, a situação de Flávio estaria mais delicada – seja pelos valores envolvidos, seja pela forma como o petista lidou com o caso em comparação com Bolsonaro.
Lula passou a usar nesta semana um novo cenário de fundo nas gravações eleitorais. O cenário fica no QG da campanha, em Brasília. Atrás de Lula, é possível ver uma estante decorada com obras de artistas de todo o Brasil e com livros lidos pelo presidente enquanto esteve preso.
O discurso inaugural do presidente nesta campanha foi no último domingo, 16, em São Bernardo do Campo. O evento serviu para relembrar a trajetória política de Lula. Foi nessa cidade que o petista comandou a greve dos metalúrgicos no final da década de 1970.
Nesse discurso, Lula disse que estava de chapéu por causa de uma radioterapia para cuidar de um câncer de pele e, por isso, não poderia tomar sol na cabeça. Segundo a assessoria do petista, esse tratamento já terminou.
Ainda assim, Lula tirou o chapéu em homenagem ao público presente. A campanha viu o gesto com bons olhos, como um movimento para encerrar dúvidas que pudessem ser levantadas sobre a condição de saúde do presidente.
