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Trump prorroga decreto que mantém sanções ao Brasil, mas medida não deve ter efeito prático

Trump prorroga decreto que mantém sanções ao Brasil, mas medida não deve ter efeito prático

Uso dessa norma para aplicar tarifas foi proibido pela Suprema Corte em fevereiro deste ano

Por Isabella Menon/Folhapress

28/07/2026 às 18:15

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Trump prorroga decreto que mantém sanções ao Brasil, mas medida não deve ter efeito prático

O presidente dos EUA, Donald Trump

O presidente Donald Trump renovou por mais um ano a emergência nacional declarada contra o Brasil, preservando a base legal que permite ao governo americano manter medidas adotadas com fundamento na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional).

A renovação não cria novas sanções nem amplia as medidas já adotadas contra o Brasil. Na prática, preserva a base jurídica que permite ao governo americano manter ações fundamentadas na IEEPA. Porém, o uso dessa lei para sobretaxar os países foi derrubado pela Suprema Corte e, por isso, esta renovação não deve ter efeito prático sobre o Brasil.

A decisão vai ser publicada nesta quarta-feira (29) no Federal Register, o Diário Oficial dos EUA, e atende à exigência da NEA (National Emergencies Act), segundo a qual uma emergência nacional expira automaticamente após um ano.

Ao justificar a renovação, Trump reiterou as acusações feitas contra o governo brasileiro no ano passado. Segundo o documento, políticas e ações do Brasil continuam representando uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.

O texto volta a citar supostas violações à liberdade de expressão e aos direitos humanos, além de afirmar que integrantes do governo brasileiro promovem perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores. Também menciona decisões do STF, acusando a corte de censurar conteúdos online e prender pessoas por exercerem liberdade de expressão.

Essa lei foi usada no ano passado para que o governo Trump aplicasse uma sobretaxa de 40% sobre os produtos brasileiros, que foi somada à tarifa de 10% anunciada no início da gestão. Ao todo, o Brasil foi sobretaxado em 50% —porém, as tarifas caíram, parte delas após a reaproximação entre Trump e o presidente Lula (PT) e, meses depois, após a Suprema Corte suspender o uso da IEEPA por Trump.

Apesar disso, o Brasil agora enfrenta outras tarifas, que foram anunciadas ao longo de julho, somam 37,5% de sobretaxas aos produtos brasileiros e são frutos de duas investigações do USTR (Escritório do Comércio dos EUA).

Na primeira delas, o Brasil foi acusado de práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e censura das redes sociais, e por isso foi sancionado com 25% —apesar de ter uma lista extensa de exceções. A outra é a investigação que o Brasil foi incluído, assim como outras 59 economias, por supostamente falhar no combate ao trabalho forçado.

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