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Temer diz que Daniel Vorcaro é 'figura doce' e faz mea-culpa da liberação de bets em sua gestão

Temer diz que Daniel Vorcaro é 'figura doce' e faz mea-culpa da liberação de bets em sua gestão

Ex-presidente afirmou que não poderia 'aplaudir' liberação de apostas enquanto presidiu o país

Por Folhapress

06/07/2026 às 21:50

Atualizado em 06/07/2026 às 21:57

Foto: Alan Santos/PR/Arquivo

Imagem de Temer diz que Daniel Vorcaro é 'figura doce' e faz mea-culpa da liberação de bets em sua gestão

O ex-presidente Michel Temer (MDB)

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta segunda-feira (6) que Daniel Vorcaro, do Banco Master, lhe pareceu pessoalmente uma figura "muito doce", mas disse que é preciso separar a impressão pessoal das atitudes do empresário.

"Uma coisa é ser a figura suave e outra coisa são as atitudes", disse o ex-presidente, depois de ser questionado sobre a descrição de Vorcaro.

"Eu acho que ele exagerou, evidentemente", afirmou em entrevista ao Frente a Frente, programa do jornal Folha e do site UOL.

O escritório de advocacia de Temer foi contratado para atuar para o Banco Master antes do agravamento da crise envolvendo a instituição. Segundo o ex-presidente, sua função era tentar uma composição com agentes do mercado financeiro, incluindo uma eventual "liquidação privada" do banco, e não uma liquidação pública pelo Banco Central.

O ex-presidente disse ter procurado representantes do mercado para avaliar a possibilidade, mas afirmou que ouviu que a saída seria "impossível" sem uma decisão do Banco Central. "Eu não consegui, não tive sucesso nessa atividade, me afastei do caso. Minha contratação foi para esse efeito", disse.

Temer afirmou que o banco não quitou todo o valor combinado. Segundo dados da Receita enviados à CPI do Crime organizado, o Master informou o pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de Temer em 2025.

Em outro momento da entrevista, o ex-presidente comentou a liberação das apostas esportivas no Brasil, ocorrida durante seu governo.

"Não aplaudo aquele meu ato", afirmou. "Se você me pergunta, como você me perguntou, se arrependo, não digo que me arrependo, porque eu sei que a regulamentação viria depois, mas eu não posso aplaudir aquele ato."

Temer disse que a autorização das bets foi vista, naquele momento, como alternativa à pressão pela liberação dos cassinos. Segundo ele, havia "uma tentativa muito grande" de instituir cassinos no país, mas também forte resistência à medida. "Um mal menor. Foi isso que me levou a assinar naquele período".

O ex-presidente defendeu uma "regulamentação rigorosa" e uma "fiscalização especialíssima" para o setor. Também disse ver espaço para restrições a determinados grupos, como beneficiários do Bolsa Família.

Na entrevista, Temer também falou sobre sua relação com o presidente Lula (PT) e com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de quem foi vice. Ele disse que não conversou com Lula depois da volta do petista ao poder. Segundo o ex-presidente, os dois tiveram apenas uma conversa breve durante a campanha, na posse de Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Depois que foi eleito, ele não conversou comigo e nem eu, naturalmente, delicadamente ou indelicadamente, iria procurá-lo", disse Temer.

Ele afirmou ainda entender que Lula use o termo "golpe" para agradar uma parte do PT. Sobre Dilma, disse que não voltou a falar com a ex-presidente desde o impeachment. "Ou melhor, ela nunca mais falou comigo".

Temer assumiu a Presidência da República em 2016, após o impeachment de Dilma, e governou o país até 2018.

O ex-presidente também comentou sua relação com Joesley Batista, empresário que o gravou em 2017 e o acusou, em acordo de colaboração, de tentar comprar o silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha, então preso em Curitiba.

O ex-presidente afirmou que só aceitaria um novo encontro se houvesse uma "retratação pública" e ironizou dizendo que a conversa teria de ocorrer na "sauna" para evitar uma nova gravação.

O emedebista ainda afirmou que houve uma "tentativa de golpe" nos atos de 8 de janeiro, mas disse não saber avaliar a participação de Jair Bolsonaro (PL). "Houve o desejo de, sem dúvida alguma, porque a invasão não foi aos prédios, foi aos prédios que abrigavam os Poderes", disse.

Ele lançou no mês passado o documento "Estrada Para o Futuro", com cem páginas de sugestões para os candidatos à Presidência elaboradas por especialistas em economia, agronegócio, educação, segurança e saúde. O texto propõe, entre outras medidas, a infiltração de policiais em organizações criminosas e a criação de vagas de ensino em tempo integral no fundamental e no médio.

Ele afirmou que os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) o agradeceram pelo envio da peça.

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