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'Sempre houve insultos de ambos os lados', diz porta-voz de Milei sobre crise com Lula
'Sempre houve insultos de ambos os lados', diz porta-voz de Milei sobre crise com Lula
Por Daniela Arcanjo, Folhapress
28/07/2026 às 14:00
Foto: Ricardo/Stuckert/PR/Arquivo
Milei chamou Lula de ladrão durante lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo
O porta-voz da Casa Rosada afirmou nesta terça-feira (28) que "sempre houve insultos de ambos os lados" ao comentar a crise entre Argentina e Brasil após o presidente Javier Milei chamar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ladrão durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo.
"Se tomarmos o caso do Brasil, é evidente que sempre houve insultos de ambos os lados. Penso que se tratam de diferenças ideológicas e políticas, mas a Argentina nunca levou essas diferenças para o âmbito diplomático", afirmou Adrian Ravier, porta-voz do ultraliberal.
"Milei é um dos principais líderes do movimento que busca promover ideias pró-mercado. Os Bolsonaros, no Brasil, são amigos e aliados nessa ideia. Lula se opõe a essa ideia, e creio que as diferenças são claras e fazem parte de uma questão ideológica e política, mas não acreditamos que isso impactará as relações diplomáticas entre os dois países, ou pelo menos não do lado argentino", continuou.
A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a suposta participação financeira de Brasil, México e o Partido Democrata, dos Estados Unidos, na onda anti-Argentina que tomou conta das redes sociais na Copa do Mundo. A acusação foi feita sem provas por Milei no domingo (26), em entrevista a uma rádio local.
"Vocês sabem quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina? O governo brasileiro", afirmou o ultraliberal na ocasião, sem apresentar qualquer evidência. "Vinte e cinco por cento dos recursos vieram do governo brasileiro. E depois eles vêm falar em interferência."
A declaração parece fazer parte de uma estratégia do governo de tentar responsabilizar a oposição e críticos em geral pelo fenômeno —tese que o porta-voz repetiu nesta terça, embora o próprio Milei seja uma das causas da impopularidade do país.
"Existe uma hipótese de que a esquerda esteja, de alguma forma, fomentando essa campanha anti-Argentina para minar a ideia de que o modelo argentino consegue tirar as pessoas da pobreza, da miséria, reduzir a inflação, gerar produção e exportações recordes, e assim por diante", afirmou o porta-voz nesta terça, sem dar uma fonte das acusações do presidente, como havia solicitado o jornalista.
