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Redução da tarifa sobre etanol americano não está em negociação, diz ministro da Indústria
Redução da tarifa sobre etanol americano não está em negociação, diz ministro da Indústria
Márcio Elias afirma que 'pessoas queiram estabelecer um regime paritário' para produto entrar no país com facilidade
Por Marcos Hermanson/Folhapress
07/07/2026 às 18:15
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo
O ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio)
O ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) rebateu nesta terça-feira (7) a proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de eliminar o imposto de importação do etanol americano e disse que a proposta não está na mesa de negociação do tarifaço.
"Nunca", afirmou o ministro a jornalistas após uma reunião com o chefe do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), Jamieson Greer.
"O presidente Lula defende claramente que o tema do etanol não seja tratado nessa negociação, e mais, não seja tratado sem que nós também tratemos da questão do açúcar, que é sobretaxado nos Estados Unidos", disse.
Elias Rosa defendeu que a entrada do etanol americano no Brasil causaria danos sobretudo à região Nordeste, que concentra um dos polos produtivos do Brasil. "A gente precisa ter um olhar muito cuidadoso para essa área, que já vem sofrendo com uma redução de preços".
O senador Flávio Bolsonaro enviou ao USTR a proposta de chegar a um "acordo zero a zero" no etanol e no açúcar, eliminando os impostos de importação de lado a lado –o USTR é o órgão americano que propõe um novo tarifaço de 37,5% ao Brasil com base na acusação de práticas concorrenciais desleais (25%) e uso de trabalho forçado (12,5%).
"Uma negociação de boa-fé entre as duas nações deve ser capaz de permitir que ambas as partes trabalhem em direção a um acordo recíproco de zero por zero para o etanol e o açúcar", escreveu Flávio na representação de 86 páginas enviadas ao USTR. Ali ele aponta que a tarifa de importação do etanol americano é de 18%, contra apenas 2,5% cobrados pelos EUA.
Unica, entidade que representa os produtores de açúcar e etanol no Brasil, rebateu a noção de que o Brasil aplique tarifas mais altas direcionadas ao etanol americano.
"A tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado segue a Tarifa Externa Comum do Mercosul e não constitui uma medida direcionada especificamente aos Estados Unidos", escreveu a entidade. Na nota, a Unica também argumenta que os EUA mantêm um sistema de proteção comercial ao açúcar que limita as exportações brasileiras ao país a apenas 1% do total exportado pelo país.
"A Unica reafirma a confiança de que eventuais divergências comerciais sejam tratadas por meio do diálogo e da negociação, preservando uma relação bilateral historicamente relevante para ambos os países e uma agenda comum voltada à promoção dos biocombustíveis e da transição energética", diz a nota da associação.
O ministro Márcio Elias Rosa relatou ter conversado nesta terça-feira com o chefe do USTR, Jamieson Greer. Brasileiros e americanos debateram um plano elaborado pelo Ministério da Justiça para ampliar a cooperação entre Brasil e EUA no combate ao crime transnacional.
O ministro não deu maiores detalhes sobre o plano, mas disse que espera novos encontros antes do prazo de 15 de julho, quando o governo americano precisa tomar uma decisão sobre a taxa de 25% proposta pelo USTR.
Elias Rosa preferiu não comentar a atuação do provável adversário da chapa governista à Presidência deste ano, Flávio Bolsonaro, nos Estados Unidos. Nesta terça-feira, Flávio participou de audiência pública e voltou a argumentar que um novo tarifaço beneficiaria o presidente Lula (PT) politicamente.
"Prefiro não falar absolutamente nada", disse Elias Rosa quando questionado sobre a atuação do senado. "Eu prefiro falar apenas aquilo que de fato está ocorrendo, que tem de fato essa representação importante para negociação".
Segundo o ministro, Lula orientou a equipe ministerial a continuar na mesa de negociação. "Com muito respeito ao que outros reivindicam, sem jamais se distanciar dos interesses do Brasil", disse. "É isso que o presidente Lula nos pede todo dia".
