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Procuradoria pede para arquivar inquérito contra 3º ministro do STJ em caso de venda de decisão
Procuradoria pede para arquivar inquérito contra 3º ministro do STJ em caso de venda de decisão
Apuração que envolve Og Fernandes foi protocolada no STF em abril, sob sigilo; ministro não comenta
Por José Marques/Folhapress
30/07/2026 às 20:45
Foto: Roberto Jayme/TSE/Arquivo
O ministro Og Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça)
A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu nesta quinta-feira (30) o arquivamento de uma investigação que mira o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Og Fernandes por suspeitas relacionadas a vendas e vazamentos de decisões judiciais.
A abertura da apuração que envolve Og foi protocolada em abril e autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin, que a colocou em alto grau de sigilo.
Para o procurador-geral Paulo Gonet, no entanto, não existem elementos que sustentem suspeitas sobre o ministro. É praxe que o Supremo acate pedidos do órgão nesse sentido e encerre a investigação.
Og foi o terceiro integrante do segundo tribunal mais importante do país sob investigação supervisionada por Zanin. O ministro do STF também autorizou apurações sobre os ministros Moura Ribeiro e Marco Buzzi. Essas apurações continuam abertas.
O arquivamento do inquérito solicitado pela PGR ocorreu depois de a Folha procurar o ministro, no início da semana, para pedir uma manifestação a respeito da existência das investigações.
A reportagem apurou que, após o contato, a defesa de Og Fernandes procurou a PGR para solicitar que o órgão apresentasse um parecer sobre o caso e também que houvesse o arquivamento. Gonet se manifestou nesse sentido.
O ministro não comenta o caso.
As investigações a respeito de venda e vazamento de decisões judiciais começaram no Supremo em 2024 e deram origem a uma operação chamada Sisamnes.
Uma das linhas iniciais de apuração da PF investigava suposto vazamento de informações da Operação Faroeste por Rodrigo Falcão, ex-chefe de gabinete do ministro. A Faroeste investiga venda de decisões no Tribunal de Justiça da Bahia e seus principais inquéritos estavam sob a relatoria de Og.
A reprodução de uma suposta decisão sobre o caso foi encontrada em uma conversa no celular do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, mas, após análise, a investigação concluiu que se tratava de um documento falso.
A polícia analisava também o que entendia como discrepâncias nas movimentações financeiras de Falcão.
Em março, no entanto, ao indiciar Andreson e um ex-assessor do tribunal, a PF disse que não havia elementos até aquele momento para que Falcão também fosse indiciado. Procurada por email, a defesa do ex-chefe de gabinete não se manifestou sobre a nova investigação.
Outros ministros investigados
A primeira investigação a vir a público sobre um ministro da corte no caso foi a relacionada a Moura Ribeiro.
A investigação aponta decisões do ministro sob suspeita de terem relação com Andreson e a esposa deste, Mirian Ribeiro, além de transferências a um funcionário que atuou no gabinete dele em 2019 e saiu do tribunal em 2021.
Na ocasião, procurado por meio da assessoria do STJ, Moura Ribeiro disse que desconhecia a existência da investigação.
"O servidor citado pelo jornal atuou como assistente de plenário de 30/01/2019 a 16/06/2019, tendo antes trabalhado em outro gabinete, e foi exonerado da função após atuação irregular, a pedido do próprio ministro", afirmou.
"Magistrado há mais de quatro décadas, o ministro Moura Ribeiro tem trajetória honrada e enfatiza que são completamente improcedentes quaisquer tentativas de associá-lo a fatos criminosos."
Outro ministro que a PF investiga é Marco Buzzi, alvo também de um processo disciplinar sob suspeita de importunação sexual e assédio.
Em relatório da Operação Sisamnes, houve menções à advogada Catarina Buzzi, filha do ministro.
No ano passado, a PF sugeriu a necessidade de aprofundar a investigação sobre a relação dela com um empresário suspeito de venda de decisões. Um novo relatório assinado por outro delegado, no entanto, apontou que não havia indícios contra a filha do ministro.
Procurado, o ministro afirma em nota que "não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares" e que não tem conhecimento de que seja investigado.
A defesa de Catarina, por sua vez, diz que são descabidas as tentativas de associá-la a irregularidades em decisões judiciais.
