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Moraes determina que Flávio Bolsonaro seja ouvido pela PF em investigação sobre calúnia contra Lula
Moraes determina que Flávio Bolsonaro seja ouvido pela PF em investigação sobre calúnia contra Lula
Por Ana Pompeu e Luísa Martins, Folhapress
07/07/2026 às 13:47
Foto: Reprodução/Instagram/Instagram/Arquivo
Caso diz respeito a post em que filho de Bolsonaro associa Lula a tráfico internacional de drogas
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF (Polícia Federal) tome o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma investigação que apura o crime de calúnia contra o presidente Lula (PT).
De acordo com o magistrado, o pré-candidato do PL à Presidência da República deve ser ouvido em um prazo máximo de dez dias. Flávio, devido à prerrogativa de senador, poderá acertar com a corporação o melhor local, dia e horário para o depoimento.
O inquérito se refere a um post de Flávio na rede social X. Quando o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado, o senador escreveu: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas".
A decisão de Moraes atende a parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Nesta segunda-feira (6), ele defendeu ao STF que Flávio fosse ouvido e mencionou que a oitiva pode permitir uma retratação por parte do senador.
"Superada a discussão a respeito do cabimento das diligências complementares requeridas, remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena", disse Gonet.
De acordo com a legislação penal, se antes da sentença o réu se retratar, fica isento de pena. Caso a ofensa tenha sido feita pelos meios de comunicação, a retratação se dá, se assim quiser o ofendido, pelas mesmas plataformas.
Moraes autorizou a abertura de investigação contra Flávio em abril.
A PF concluiu, no fim de junho, que ficou claro o crime de calúnia, pois Flávio "imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico".
A equipe do pré-candidato à Presidência da República argumentou, na ocasião, que o procedimento tenta cercear a liberdade de expressão e "evoca práticas de censura e bloqueios de contas vistos no pleito de 2022". Disse ainda que Moraes é "personagem central do desequilíbrio democrático recente".
Pré-candidatos, Flávio e Lula são rivais na disputa pelas eleições de outubro. A pesquisa Datafolha de 20 de junho apontou que o petista manteve vantagem e marcou 41% ante 31% do senador, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
