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Flávio diz nos EUA que tarifas ajudariam Lula e que agora é o 'pior momento' para adotá-las

Flávio diz nos EUA que tarifas ajudariam Lula e que agora é o 'pior momento' para adotá-las

Por Isabella Menon, Folhapress

07/07/2026 às 13:17

Foto: Fernando Pessoa/Divulgação Flávio Bolsonaro/Arquivo

Imagem de Flávio diz nos EUA que tarifas ajudariam Lula e que agora é o 'pior momento' para adotá-las

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em comissão que discute as taxações nos EUA

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em audiência nos Estados Unidos que a adoção de uma tarifa sobre os produtos brasileiros beneficiaria o presidente Lula (PT) e que agora seria "o pior momento" para implantá-la.

Ele também citou o caso Master, sem mencionar o seu elo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que um novo tarifaço poderia aproximar o país da China e defendeu o Pix.

Flávio foi à audiência junto com o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado por coação a autoridades no STF (Supremo Tribunal Federal) e cassado pela Câmara dos Deputados.

A fala de Flávio acontece em meio às audiências promovidas pelo USTR (Escritório de Comércio dos EUA) que investiga o Brasil por supostas práticas desleais sob a Seção 301 desde julho do ano passado.

No dia 1º de junho, o escritório anunciou a conclusão da investigação que analisou diferentes temas relacionados ao Brasil, entre eles sistemas de pagamentos, como Pix, desmatamento ilegal, big techs e corrupção, e sugeriu um novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros.

Após sua participação, Flávio disse que quer o cancelamento da taxação, não o adiamento —ao contrário do que declarou em documento enviado ao USTR há cinco dias. No texto, ele afirmou medidas econômicas de grande porte às vésperas da eleição podem ser vistas como "uma tentativa de influenciar o resultado", e que "adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização".

No início da fala nesta terça, o pré-candidato lembrou que esteve com o presidente dos EUA, Donald Trump, e membros do gabinete, como o vice J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, e afirmou ter pedido que os americanos não taxassem o Brasil.

Declarou que as tarifas do ano passado não trouxeram benefícios para a economia brasileira e acabaram fortalecendo o governo Lula. "Impor tarifas agora criaria uma situação difícil de reverter. Isso premiaria os responsáveis pelas ações questionadas, ao mesmo tempo em que puniria aqueles que arcam com as consequências delas."

O senador afirmou que o Pix não é "um problema, mas é uma solução" criada durante a gestão Michel Temer (MDB), que beneficia milhões de brasileiros e poderia inclusive favorecer empresas americanas.

Em relação a suposta censura citada pela investigação dos EUA, disse que as decisões citadas pela investigação partiram do STF e do Executivo.

Tanto Eduardo como Paulo Figueiredo, aliado de Flávio, têm solicitado ao governo americano que retomem as sanções por meio da Lei Magnitsky a ministros do STF, principalmente, Alexandre de Moraes.

Após o depoimento, membros do USTR fazem questionamentos para as testemunhas das audiências. Flávio foi questionado sobre quais políticas internacionais poderiam ser tomadas pra evitar que as tarifas fossem impostas.

O pré-candidato declarou que, "se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso. Essa não é a forma adequada. Existem instrumentos direcionados que podem ser usados contra indivíduos."

Também falou sobre eleições. "Esperamos que o governo brasileiro possa mudar a partir do ano que vem, em janeiro. O que posso dizer é que há uma grande chance de o Brasil ter um presidente que não seja antiamericano, como o que existe hoje."

Em sua fala, Flávio citou os escândalos do INSS e do Banco Master e, assim como fez nos comentários que submeteu ao órgão por escrito, ignorou o próprio elo com Vorcaro.

Atuação nos EUA

Desde o início do ano, o senador já esteve nos Estados Unidos em outras quatro ocasiões.

Entre elas, a viagem em que discursou no CPAC, maior evento conservador do mundo, e a ida a Washington no fim de maio, quando se reuniu com membros do gabinete e com o presidente Donald Trump.

Naquela ocasião, Flávio deixou a capital americana em posição de vitória: obteve uma foto ao lado de Trump dentro do Salão Oval e viu, logo depois, o PCC e o CV serem designados organizações terroristas — pauta que ele próprio havia defendido em seu encontro com integrantes do governo republicano.

Na sequência, porém, os EUA anunciaram a conclusão da investigação sobre o Brasil e sinalizaram que o país seria taxado em 25%, e a proximidade com da notícia com a sua viagem fez com que o governo petista atribuísse o tarifaço a ele.

A viagem atual deve ser a última de Flávio aos Estados Unidos até o fim do ano. Segundo aliados, o pré-candidato agora precisa concentrar-se na campanha e em viagens pelo território brasileiro.

Ao contrário da ida anterior a Washington, desta vez ele optou por uma passagem discreta, sem entrevistas.

Segundo aliados, ele desembarcou na capital americana no domingo e, ao lado do irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro, assistiu ao jogo do Brasil contra a Noruega em um bar. Na segunda, seguiu publicando vídeos sobre o Pix e sobre a tentativa de evitar que os EUA tarifem o Brasil.

Ele tem insistido que, como o Itamaraty não indicou um representante para falar na sessão, o governo está sendo omisso. Por outro lado, o governo Lula, diz que a audiência é voltada principalmente ao setor privado, apesar de não ter limitação para que políticos participem.

Apesar de Flávio tentar usar a vinda para os EUA como vitrine política, há receio por parte de aliados que a vinda não seja positiva. Isso porque ainda há um alto risco que as tarifas sugeridas pelo USTR sejam aplicadas, o que enfraqueceria o filho de Bolsonaro, uma vez que o primeiro tarifaço veio na esteira do lobby de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos EUA.

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