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Fazenda eleva projeção oficial de inflação em 2026 para 5,1%, acima da meta do BC

Fazenda eleva projeção oficial de inflação em 2026 para 5,1%, acima da meta do BC

Governo mantém previsão de alta de 2,3% do PIB, mas prevê perda de fôlego da economia no segundo trimestre

Por Guilherme Pimenta/Idiana Tomazelli/Folhapress

15/07/2026 às 18:45

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Fazenda eleva projeção oficial de inflação em 2026 para 5,1%, acima da meta do BC

Ministério da Fazenda

O Ministério da Fazenda elevou para 5,1% a projeção de inflação para este ano, devido aos possíveis impactos negativos do fenômeno El Niño sobre o preço de alimentos. A projeção anterior, de maio, previa um IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,5%.

A revisão mostra que o governo espera uma inflação acima do teto da meta perseguida pelo BC (Banco Central), que é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (ou seja, o limite vai até 4,5%). No acumulado em 12 meses até junho, o IPCA ficou em 4,64%.

Já em relação ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), a Fazenda manteve a estimativa de alta de 2,3% neste ano. A Fazenda diz que a atividade econômica "segue em expansão" e prevê uma aceleração no segundo trimestre, cujos resultados ainda serão divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As estimativas foram divulgadas nesta quarta-feira (15) no Boletim Macrofiscal, da SPE (Secretaria de Política Econômica).

A entrevista coletiva foi marcada por uma dinâmica atípica no Ministério da Fazenda. Os jornalistas foram proibidos de fazer perguntas ao vivo, usando o microfone. Mesmo presentes no auditório, precisaram enviar os questionamentos por escrito. As perguntas foram lidas pela própria secretária de Política Econômica, Débora Freire.

O ministério disse que o formato foi definido em função das restrições previstas na legislação eleitoral. "Informamos que nossas divulgações estão seguindo as orientações previstas para este período", afirmou o órgão na convocação da entrevista. Na dinâmica habitual, os jornalistas fazem as perguntas usando o microfone.

Em relação às projeções, Freire disse que um dos principais motivos para revisar a estimativa de inflação é a expectativa de um El Niño no segundo semestre mais forte do que vinha sendo esperado.

O fenômeno climático costuma alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país, com impacto sobre a produção agropecuária. Com isso, há menor oferta de alimentos, o que pressiona o preço de alguns itens. Além disso, pode haver alta nos custos de energia e logística.

Segundo a secretária, o governo não estima isoladamente o efeito do El Niño sobre os preços, mas reconheceu que há um "viés de alta" nas projeções, uma vez que a extensão do fenômeno ainda é desconhecida.

A SPE também avaliou que o conflito no Oriente Médio continua sendo um dos principais fatores de risco para o cenário econômico. Segundo a Fazenda, embora a trégua entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido temporariamente o preço do petróleo, a retomada das hostilidades em 8 de julho —após a data de corte das projeções— voltou a elevar as cotações da commodity e aumentou as incertezas.

Por isso, a secretária indicou que o governo deve manter por mais algum tempo a subvenção de R$ 0,44 por litro na gasolina. Antes, a previsão da equipe econômica era rever o valor ou até retirar totalmente o benefício.

O governo ainda mantém uma subvenção de R$ 1,12 por litro do diesel, mas já extinguiu outra parcela de R$ 0,35 sobre o combustível.

"É o momento de esperar maior clareza em relação ao cenário. O ministro já colocou que a gente tem interesse de retirar as medidas. Mas não temos uma data", afirmou.

No boletim, divulgado antes do anúncio esperado de uma nova rodada de tarifas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, a SPE ainda avaliou que o impacto macroeconômico dessas medidas tende a permanecer reduzido para a economia brasileira, já que a expectativa é de que o governo americano confirme exceções para diversos produtos.

O documento ainda estima que as medidas de crédito anunciadas pelo governo brasileiro a partir de maio tiveram efeito limitado sobre a atividade econômica, porque a regulamentação adiou o início efetivo das operações.

Segundo a SPE, as iniciativas de renegociação de dívidas por meio das duas versões do programa Desenrola, para quem está em dia com os pagamentos e para os inadimplentes, e a ampliação do acesso ao crédito para famílias, empresas e microempreendedores individuais devem ter efeito neutro sobre a economia no curto prazo.

No boletim, a Fazenda também revisou as projeções para 2027. A estimativa do PIB caiu de 2,6% para 2,5%, em decorrência de uma trajetória de juros mais restritiva do que a prevista anteriormente, com uma redução mais lenta da taxa básica de juros, a Selic. Já a expectativa para a inflação oficial subiu de 3,5% para 3,6% para o próximo ano.

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