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Dólar abre em queda acentuada em dia de feriado antecipado nos EUA

Dólar abre em queda acentuada em dia de feriado antecipado nos EUA

Por Folhapress

03/07/2026 às 10:27

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

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O dólar abriu em queda acentuada nesta sexta-feira (3)

O dólar abriu em queda acentuada nesta sexta-feira (3), seguindo a tendência de desvalorização da moeda em outros mercados no exterior, refletindo os dados sobre o mercado de trabalho dos EUA, divulgados na quinta-feira (2), que apresentou uma criação de vagas menor do que o esperado.

O feriado antecipado do Dia da Independência dos EUA mantém os mercados fechados do país nesta sexta, o que tende a reduzir a liquidez em todo o mundo.

Às 9h31, a divisa norte-americana caía 0,52%, cotada a R$ 5,1811. Na quinta, o dólar fechou em variação negativa de 0,03%, cotado a R$ 5,207, e a Bolsa subiu 0,64%, a 172.787 pontos.

O mercado brasileiro amornou no meio da tarde sem que houvesse algum gatilho específico, segundo operadores.

"O mercado vem tentando digerir uma série de eventos, como a reprecificação das expectativas para a Selic, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, o noticiário com impacto sobre a inflação, o risco de aprovação de pautas-bomba no Congresso, o noticiário eleitoral, entre outros fatores", diz Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos.

"Em dias como esse, mesmo sem um gatilho específico, observa-se uma piora no tom dos mercados."

A corrida eleitoral, conforme operador ouvido pela Reuters, ajudou a piorar a percepção sobre ativos brasileiros. Nos últimos dias, o noticiário revelou o fortalecimento do presidente Lula (PT) na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto, além dos atritos entre o parlamentar e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O Tesouro Nacional ainda realizou leilões de títulos prefixados pela manhã, em lotes considerados "robustos" pelo mercado. Foram oferecidos 20 milhões de LTNs (Letra do Tesouro Nacional, conhecidos como Tesouro Prefixado) e 3,65 milhões de NTN-Fs (Nota do Tesouro Nacional Série F, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais).

Com a piora no mercado doméstico, o Brasil descolou do exterior. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,53%, a 100,85 pontos, na esteira do relatório de empregos dos Estados Unidos e do subsequente reajuste de apostas sobre os juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA).

Foram abertos 57 mil postos de trabalho em junho, abaixo dos 110 mil projetados. Mesmo com o resultado pior do que o esperado, a taxa de desemprego dos Estados Unidos recuou de 4,3% para 4,2%, contrariando as previsões de estabilidade.

"De modo geral, o dado de emprego de junho reafirma a narrativa de um mercado de trabalho em equilíbrio, sem grandes sinais de reaceleração da economia, tampouco de enfraquecimento", diz André Valério, economista sênior do Inter.

Segundo ele, o relatório pode retirar parte da pressão sobre o Fed, que, na última reunião de política monetária, surpreendeu os investidores ao adotar uma comunicação "hawkish", isto é, dura no combate à inflação.

Com o mercado de trabalho em equilíbrio, o consumo das famílias tende a ficar estável, reduzindo pressões inflacionárias. Ao considerar o arrefecimento das tensões no Oriente Médio e a consequente normalização dos mercados de energia, o cenário abre a porta para uma possível desaceleração dos preços aos consumidores americanos.

"Em conjunto, os números reduzem a percepção de que a economia permanece tão robusta quanto sugeriam os indicadores divulgados no mês passado, especialmente no que diz respeito ao mercado de trabalho", diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

O Fed trabalha com um mandato duplo: o objetivo é calibrar a política monetária para garantir o máximo emprego e a inflação em torno de 2% ao ano. Isso quer dizer que, ainda que o payroll tenha vindo benigno, os investidores também precisam analisar os dados de inflação para tentar antecipar os próximos passos do Fed.

O relatório PCE, que monitora preços de itens de consumo pessoal e é a métrica inflacionária favorita do banco central americano, subiu 4,1% nos 12 meses até maio —ou seja, mais de 2 pontos percentuais acima da meta.

Kevin Warsh, novo presidente do Fed, tem reafirmado que a autoridade monetária será combativa à alta de preços.

"Se houver pessoas entre as famílias, no setor empresarial ou nos mercados financeiros que pensaram que este banco central ficaria à vontade com uma meta de inflação acima de 2% —bem, acho que ficarão decepcionadas: vamos garantir a estabilidade de preços nos EUA", disse ele na quarta-feira (1°), durante o fórum anual de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) em Sintra, Portugal.

Diante desse cenário, investidores diminuíram as apostas de um aperto monetário mais rápido por parte do Fed. Se, antes do relatório, o mercado trabalhava com a possibilidade de alta de juros já em setembro, agora as expectativas se deslocaram para outubro.

"Ou seja, o mercado não deixou de precificar uma nova alta de juros, mas passou a enxergar menos urgência para que o Federal Reserve promova esse ajuste no curto prazo, adiando as expectativas para os próximos meses", diz Mattos.

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