Datafolha: Lula tem 48%, e Flávio Bolsonaro, 43% no segundo turno
Pesquisa mostra estabilidade na corrida após mês de más notícias na campanha do filho de ex-presidente
Por Igor Gielow/Folhapress
24/07/2026 às 19:20
Foto: Ricardo Stuckert/PR e Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Lula e Flávio Bolsonaro
Nova pesquisa do Datafolha sobre a corrida pelo Planalto mostra o presidente Lula (PT) com 48% das intenções de voto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que marca 43%. O cenário é de estabilidade ante junho, mostrando baixo impacto em intenção de voto da crise política da campanha do senador pelo Rio.
No primeiro turno, o petista marca 40%, ante 32% do primogênito do ex-presidente preso por golpe de Estado Jair Bolsonaro. Apesar de semelhante ao aferido na rodada anterior, a comparação direta não é possível porque a ficha com nome de pré-candidatos mudou, chegando a 12 nomes. Já o tira-teima é comparável.
Em votos válidos, forma de contagem do dia da eleição que exclui brancos e nulos, Lula tem 45% e Flávio, 36%. É preciso 50% mais um voto para vencer, mas o dado precisa ser lido com cautela, pois os 8% de nulo/branco/ninguém apontados agora tendem a cair perto do pleito.
O distante pelotão inferior da disputa do primeiro turno está todo embolado na margem de erro de dois pontos para mais ou menos e inclui Ronaldo Caiado (PSD, 4% de votos totais), Romeu Zema (Novo, 3%), Renan Santos (Missão, 3%), Augusto Cury (Avante, 2%), Samara Martins (UP, 1%), Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) e Rui Costa Pimenta (PCO, 1%).
Não pontuam Heitor Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB) e Leonardo Avalanche (PRTB). Dizem estar indecisos 3%. O instituto ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios de quarta-feira (22) a esta quinta (23). O levantamento está registrado com o código BR-01166/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.
A consolidação do nome de Flávio como principal rival de Lula também se vê quando o entrevistado é questionado sobre seu nome favorito de forma espontânea. O senador é lembrado por 17% dos entrevistados, ante 30% que citam o presidente.
A má notícia para o pré-candidato do PL, que terá a postulação confirmada em convenção neste sábado (25), é que esse cenário é de estabilidade desde maio.
Além de seguir à frente na primeira rodada, Lula derrotaria hoje outros rivais testados pelo Datafolha para confrontos de segundo turno. Venceria Caiado por 47% a 40%, e Zema por 48% a 40%. A fotografia é de estabilidade em relação a junho.
Também segue igual o cenário da rejeição, com 48% dos eleitores dizendo não votar de forma alguma em Flávio e 46%, em Lula. Todos os outros candidatos têm níveis inferiores, de 13% para baixo.
A nova pesquisa aferiu o impacto de uma nova crise na campanha de Flávio, que acabava de estancar o efeito inicial da revelação de suas relações próximas com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O senador viu sua vantagem numérica sobre Lula se inverter, e o petista ganhou algum fôlego. O caso ainda promete novos capítulos, com a abertura da investigação sobre o dinheiro que Vorcaro deu para financiar o filme hagiográfico sobre Bolsonaro, "Dark Horse".
Além disso, emergiu o novo problema. Há um mês, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo em que se queixava duramente do enteado, a quem acusava de a ter tratado mal e a considerar dispensável. Ela deixou a chefia do PL Mulher e colocou sua candidatura a senadora pelo Distrito Federal em xeque.
Inicialmente, a reação de Flávio foi de dizer que não tratava mal mulheres, um erro tático, pois reafirmava a acusação ante um eleitorado que lhe é amplamente desfavorável. Segundo o Datafolha, 50% das mulheres, que compõem 52% da amostra, preferem Lula num segundo turno, ante 40% que declaram voto no senador.
Não deu certo, e Michelle exigiu uma retratação, que enfim veio na quinta (23). Ela respondeu com um vídeo aceitando as desculpas, mas o efeito prático na campanha é incerto a essa altura. O isolamento causado pela somatória de episódios tornou a montagem da chapa de Flávio atribulada, com aliados potenciais se negando a integrá-la.
Além disso, o período entre as pesquisas registrou a volta do tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, uma prática associada ao clã Bolsonaro. Na primeira edição das medidas punitivas no ano passado, a família trabalhou ativamente por elas, acreditando que isso pressionaria o Supremo a não condenar o ex-presidente.
Não deu certo, e Lula ainda faturou com isso, apostando numa campanha pela soberania nacional que está sendo reeditada agora como tema da eleição. O senador até tentou se posicionar contra o tarifaço, mas alegando que ele favoreceria o rival.
Os pesquisadores foram às ruas no dia seguinte à fala de Flávio a diplomatas estrangeiros em que ele divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas, emulando a prática que rendeu ao pai a inelegibilidade antes mesmo de ser preso.
Do ponto de vista de perfil do eleitorado, não houve mudanças significativas nos grandes grupos socioeconômicos em relação a pesquisas anteriores, ainda que sem a comparação direta.
Seguem preferindo o petista no primeiro turno os nordestinos (55% entre esses 28% da população) menos instruídos (51% do grupo, que soma 30% da amostra), os mais pobres (47% entre 50% dos ouvidos) e católicos (46% entre esses 49% dos brasileiros).
Já Flávio tem melhor desempenho na classe média, que ganha de 2 a 5 salários mínimos (38% entre esses 34% dos brasileiros), sulistas (41% do grupo, que soma 15% da amostra) e evangélicos (47% entre os 25% que se declaram assim).
